Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 22/05/2019
No século XX, a indústria do tabaco faturou bilhões de doláres ao promover uma imagem positiva do cigarro. Para isso, contou com os meios de comunicação de massa: propagandas que associavam o produto a um estilo de vida glamoroso e moderno. Hodiernamente, a legislação antifumo é bastante rígida em diversos países, inclusive no Brasil, proibindo todos os recursos midiáticos de divulgar o tabagismo. Entretanto, apesar desse cenário hostil ao cigarro, essa herança cultural parece não ter fim, uma vez que a quantidade de fumantes têm crescido cada dia mais. Nesse contexto, cabe analisar os problemas e as consequências desse vício, bem como maneiras de atenuar essa complexidade.
Primordialmente, nota-se que mesmo com tantas campanhas de conscientização contra o cigarro, o tabaco ocupa a segunda posição de drogas mais consumidas entre os jovens, o que em parte, se deve à facilidade e aos estímulos para obtenção do produto, como o baixo custo. Outro chamariz do problema, é o exemplo dos próprios pais fumantes, que acabam por influenciar os filhos ao vício. Entretanto, segundo o oncologista Murilo Buso, mesmo não conseguindo largar o cigarro, os pais precisam convencer os filhos dos malefícios do fumo, e a melhor maneira de fazer isso é assumindo que o tabagismo é uma patologia - possui até CID (Código Nacional de Doenças). A dependência química trazida pelo cigarro é muito séria e a maioria dos jovens não tem maturidade para assumi-la.
Observa-se, ainda, que o tabagismo é responsável pela maior parte de mortes por câncer de pulmão, o que afeta muito o sistema de saúde pública no Brasil. No país, 21 bilhões de reais são gastos no tratamento de pacientes dependentes do cigarro, números revelados pela Aliança de Controle do Tabagismo (ACT). Além disso, o cigarro não faz mal apenas ao fumante, também existe perigo para quem está respirando a fumaça passivamente. Estudos apontam que a chance de um fumante passivo desenvolver doenças respiratórias e câncer é 30% maior, em comparação com quem não entra contato com a fumaça do cigarro. Revelando assim, o conceito de individualismo do ser humano nas relações modernas, já proposto pelo sociólogo Zygmunt Bauman.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Cabe ao Ministério da Educação, promover, por meios de verbas governamentais, palestras escolares com especialistas - psicólogos, médicos e professores - alertando crianças e adolescentes sobre os riscos do tabagismo e incentivando-as à uma vida saudável. Urge, ainda que o governo invista na saúde pública, principalmente em projetos como o Programa Nacional de Controle do Tabagismo, priorizando o tratamento dos fumantes como estratégia fundamental para a diminuição desse vício e da mortalidade decorrente. Desse modo, a realidade distanciar-se-a das propagandas pseudo-saudáveis do século XX.