Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 28/04/2019
No Brasil, a sanção da Lei Antifumo, em 2011, representou um marco do Estado no combate ao tabagismo. Por meio desse dispositivo legal, estabelecimentos como padarias e lanchonetes foram proibidos de exibir propagandas de cigarro. Além disso, tal lei vetou o fumo em ambientes fechados, como bancos e restaurantes. Entretanto, apesar desse avanço, o tabagismo no século XXI persiste e traz consigo problemas e consequências. Nesse contexto, deve-se analisar como o insuficiente sistema de saúde pública brasileiro e a negligência educacional contribuem para a perpetuação desse quadro.
O mal funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS) é o principal fator colaborador para o tabagismo. Isso acontece porque não existe, de fato, acolhimento em unidades básicas de saúde (UBS) de pessoas dependentes de nicotina que desejam tratamento. Hoje é comum, por exemplo, ver com certa frequência em hospitais e postos de saúde, campanhas governamentais que tratam dos efeitos do tabagismo. Contudo, o SUS é falho no aspecto essencial: a assistência médica e psicológica ao indivíduo, uma vez que não há oferta suficiente de especialistas em dependência química - como médicos e psicólogos - ou até mesmo de medicamentos necessários. Por consequência de tal insuficiência, o tabagista desiste da procura por tratamento e, por sua vez, torna-se estatística em meio aos 10,1% da população fumante brasileira, segundo dados de 2017 do Ministério da Saúde (MS).
Atrelada à insuficiência estatal, a negligência das escolas também é responsável pelo tabagismo no século XXI. Isso decorre do modelo curricular vigente que, apesar de avançar ao introduzir debates importantes para a vida em sociedade, ainda ignora o relevante tópico de combate ao cigarro. Dessa forma, as instituições de ensino básico e de nível médio limitam-se a uma grade curricular tradicionalista, não orienta os estudantes a reconhecer o cigarro como veneno mortal. Em decorrência dessa negligência e má orientação, os adolescentes, muitas vezes, acabam sendo influenciados pelo sentimento de pertencer ao grupo de amigos fumantes, por exemplo, tornando-se também tabagistas.
Faz-se evidente, portanto, que o Estado e a escola devem combater o cigarro. Em razão disso, o MS deve - a fim de oferecer facilidade de acesso ao tratamento do tabagismo - por meio de concurso público, alocar mais médicos e psicólogos em UBS’s, para que possam atender com efetividade a demanda de pacientes que desejam livrar-se do vício. Somado a isso, tal órgão deve também aumentar os repasses financeiros para a aquisição de medicamentos utilizados no tratamento, como os adesivos de nicotina. Ademais, é fundamental que o Ministério da Educação, em parceria com as Secretarias Estaduais de Educação, determine a inserção da disciplina de combate ao tabagismo ainda no fim do ensino fundamental. Assim, o tabagismo no século XXI poderá finalmente ser superado.