Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 28/04/2019

Os anos sessenta e setenta foram marcados por movimentos de contracultura e questionamentos relacionados a gênese de diversos grupos sociais que compartilhavam do cigarro como elemento em comum. No entanto, tal valor simbólico do tabaco perdeu-se e, hoje, tal substância é consumida exclusivamente pelo prazer, o que, põe em cheque sua validade e atribuições na sociedade frente seus vastíssimos prejuízos. Mediante o tabagismo na contemporaneidade, torna-se fundamental adotar uma postura de enfrentamento a seu consumo, seja devido a questão ética que o cerca, seja em função dos seus impactos na juventude e gerações vindouras.

No que concerne o primeiro ponto, é válido mencionar que o ato de fumar desrespeita e invade o espaço de não fumantes suscitando um embate moral e ética. Para elucidar essa questão o psicólogo e escritor Daniel Goleman define como ética a “tomada de consciência de nossas ações e seus impactos no outro e na sociedade”. Posto isso, ao fumar, o fumante invade o espaço alheio e, através da fumaça, promove uma série de problemáticas desde o incômodo à questões físicas e de saúde. Ademais, a inalação transforma os indivíduos envolvidos em fumantes passivos, acarretando para si infortúnios os quais não foram os responsáveis por causar. Assim, o tabagismo representa uma falta de coesão na compreensão do espaço do outro, revelando também uma conduta anti-ética e desvirtuosa.

Já em relação ao segundo ponto, é coerente pensar no legado maléfico e danoso que as práticas tabagistas transmitem às gerações futuras, sobretudo ao agravamento dos problemas sociais. Quanto a isso, o escritor e psiquiatra Içami Tiba, o consumo do cigarro por parte dos pais pode induzir o comportamento nos filhos, transmitindo verticalmente o hábito e intensificando-o, levando a juventude a se interessar em outras substâncias psicotrópicas como drogas ilícitas. Desse modo, a cultura do tabagismo perpetua-se e alimenta-se na sociedade, agravando os casos de doenças relacionadas ao consumo, vício em públicos cada vez mais jovens e banalização do uso de drogas pesadas. Portanto, combater o tabagismo é assegurar a integridade e segurança psicossocial das gerações vindouras.

A par do que foi exposto, cabe finalizar refletindo em medidas capazes de reverter a cultura do tabagismo na sociedade contemporânea. A respeito disso, é dever do Ministério da Saúde rever e intensificar as ações de combate ao tabagismo, haja vista que as atuais medidas encontram-se insuficientes. Isso pode ser feito pelo aumento dos impostos incidentes no preço dos cigarros, divulgação de campanhas publicitárias para conscientização e medidas de educação preventiva nas escolas e liceus. Tudo isso com o objetivo reverter o cenário das práticas tabagistas, pautando-se na valorização da saúde e fortalecimento da vivência ética.