Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 18/04/2019
No Brasil, tem-se notabilizado o avanço no combate exitoso do tabagismo, e o Pais é referência mundial quando se trata de reprimir o vício em cigarros. No entanto, a dependência de nicotina e de outras substâncias existentes no tabaco ainda compromete cerca de 20 milhões de brasileiros. Esse cenário adverso evidencia uma mentalidade suscetível de muitos indivíduos ao atrelamento do cigarro a “status” ou “glamour”, bem como explicita que o acesso à informação quanto aos riscos desse uso ainda é insatisfatório na Nação.
Com efeito, apesar da redução de índices de tabagismo, sobrevive no Brasil um paradigma cultural equivocado de associação entre o ato de fumar e a valorização social. Esse mito popular apresenta direto relacionamento com o estímulo implícito da indústria cinematográfica, em que protagonista como James Bond, da série de filmes 007; ou até personagens infantis, como Pica-Pau, aparecem fumando naturalmente e são retratados em situação de entretenimento, felicidade ou êxito na trama concomitantemente ao uso de cigarros. Nesse contexto de apologia ao tabaco, muitas famílias e escolas, instituições fundamentais para a consolidação de valores e princípios comportamentais, são insatisfatórias na função primordial de desencorajar o vício a partir da desconstrução dessa ideia equivocada, principalmente de adolescentes, de que o cigarro representaria, por exemplo, charme, ousadia ou sensualidade, como muitos acreditam. Esse panorama desafiador exige uma atuação mais empenhada dessas instituições em prol de evitar que mais pessoas adiram a esse nefasto hábito.
Além disso, são limitados os investimentos governamentais em campanhas elucidativas dos riscos que o cigarro pode provocar à saúde dos usuários. Prova disso é que, a despeito de ter diminuído, conforme o Ministério d Saúde, em 36% o número de fumantes nos últimos dez anos, o Brasil ainda é o oitavo país no mundo em número absoluto de tabagistas, os quais, muitas vezes, desenvolvem patologias letais, como câncer de pulmão e doenças cardiovasculares. Em decorrência dessa escassez informativa, vários indivíduos iniciam o hábito de fumar, aderem ao vício, adoecem e demandam um gasto bilionário ao SUS no tratamento de enfermidades provenientes do cigarro, o que atesta o quão comprometedora pode ser para o País a ineficácia governamental na disseminação de uma cultura de valorização da saúde em contraponto ao tabagismo.
Portanto, a fim de que menos brasileiros venham a viciar-se em cigarro por associá-lo a êxito ou inclusão social, compete a mais instituições formadoras de opinião, a exemplo de núcleos familiares, ambientes escolares e até setores da imprensa, potencializar o debate social sobre os riscos letais que o tabaco pode proporcionar, por intermédio, respectivamente, de diálogos domésticos mais constantes sobre essa pauta, de cartilhas educativas contra a dependência de nicotina, de palestras com profissionais de saúde ou mesmo de documentários exibidos em horário nobre acerca das doenças provenientes dessa dependência, visto que esses tipos de atividades podem ser preponderantes para a consolidação de um senso crítico de repulsa ao fumo. Ademais, cumpre ao Governo Federal ampliar os informes elucidativos acerca dos malefícios do cigarro à saúde popular, mediante chamadas na imprensa televisiva, postagens patrocinadas em redes sociais e até incentivos no Disque Saúde, que sejam capazes de persuadir um número cada vez maior de cidadãos a não iniciar o hábito de fumar, por conhecerem as drásticas consequências que o consumo habitual de nicotina pode ocasionar.