Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 01/11/2019

Na clássica comédia “Bonequinha de Luxo”, a protagonista é retratada de forma rica e exuberante, sempre de tiaras, luvas e um tabaco na mão, usado em quase todas as cenas. A obra, inaugurada em 1961, revela a antiga romantização do cigarro no século XX, utilizado em diversas produções de forma glamorizada. Fora das telas, mesmo diante do conhecimento em relação aos efeitos nocivos do cigarro, a questão do tabagismo configura-se como um grave problema em virtude da ineficiência governamental e do hábito cultural da sociedade.

É relevante abordar, primeiramente, que o descaso governamental corrobora para a persistência do tabagismo no Brasil. A esse respeito, no final de 2014, foi regulamentada a lei antifumo nº 12.546/2011 a qual proíbe, em todo o Brasil, o consumo de cigarros e afins em recintos públicos, privados fechados ou parcialmente fechados. Contudo, a falta de aplicabilidade legislativa e de impunidade aos que fumam em ambientes inapropriados, bem como a ausência de fiscalização nesses estabelecimentos leva a um aumento considerável de fumantes passivos no Brasil, pois não há preocupação por parte do Poder Público em garantir o amparo aos que diariamente sofrem, de forma indireta, com os resultados maléficos que o cigarro oferece ao organismo.

Além do fator estatal, a questão do hábito presente no corpo social  também influencia a problemática. de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), no ano de 2018, o Brasil é o oitavo país no ranking de fumantes no mundo. Sob essa ótica, atualmente no país, é sabido que existem diversas campanhas e medidas contra o ato de fumar como o impedimento da veiculação de propagandas de tabaco nos diversos meios de comunicação e da obrigatoriedade de frases como: “venda proibida a menores de 18” e do uso de imagens provocativas com advertências tóxicas nas carteiras de tabaco. No entanto, o indivíduo fumante, muitas vezes, já compreende os altos riscos que essa droga causa em sua saúde, porém, em razão de sua dependência química, encontra-se acorrentado à nicotina.

Fica claro, portanto, a necessidade de atitudes no cenário político e social. Assim sendo, é dever do Estado, usufruindo de seu caráter abarcativo, consolidar a lei nº 12.546/2011 a partir de uma fiscalização mais eficaz do cumprimento dessa jurisprudencia nos diversos estabelecimentos comerciais com o objetivo de diminuir o numero de fumantes passivos no país. Somado a isso, a fim de tirar os fumantes do vicio, cabe a Mídia criar campanhas e projetos que estimulem os viciados com o acompanhamento de suas familias a procurar tratamento nas diversas clínicas de reabilitação brasileiras. Assim, tais medidas visam combater o impasse de forma precisa e democrática.