Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 09/03/2019
“A água de boa qualidade é como a saúde ou a liberdade, só tem valor quando acaba”, eternizou Guimarães Rosa, poeta modernista brasileiro. Na senda dessa reflexão, ao trazer à tona a negligência geral frente a um vilão silencioso que compromete a saúde de nossa sociedade, o tabagismo, faz-se imprescindível o debate sobre os problemas e as consequências que esse mal traz no presente século, visto que é uma questão de saúde pública. Logo, importa compreender o impacto que raízes histórico-sociais e falhas governamentais têm no assunto.
A priori, é de suma importância pôr em xeque a cultura do fumo. Desde que foi descoberto e utilizado há milhares de anos, depois de ciclos de proibições e usos generalizados, é fato que o ato de fumar foi construído como um objeto socializador e de status. Logo, até os dias atuais, nota-se a presença do cigarro no cinema, televisão e demais meios midiáticos, o que acaba por influenciar o comportamento de pessoas de todas as faixas etárias. Entretanto, tal ilusão corrobora para que as 5000 substâncias tóxicas junto à nicotina sejam porta de entrada para doenças como o enfisema pulmonar, bronquite e problemas cardiovasculares fatais, o que é comprovado ao analisar as estatísticas: 5 milhões de mortes anuais, segundo dados do Instituto do Câncer de Brasília.
Em segundo plano, convém contestar o comportamento do Estado frente à situação. Além dos problemas que causa no ser humano, o uso do cigarro traz sérias consequências para o meio ambiente, por meio das dispersões de guimbas no solo e de fumaça no ar. Ademais, a escassez de programas de conscientização e combate ao tabagismo por parte do Poder Público contribui para a perpetuação e normalização do ato de fumar, o que gera ainda mais doentes e consequentes gastos para os hospitais públicos, o que constrói, dessa forma, um ciclo sem fim. Logo, consoante à máxima quixotesca de que uma andorinha só não faz verão, são necessárias ações conjuntas da mídia, Estado e sociedade para o fim dos problemas supracitados. Dado o exposto, é dever da mídia, quarto poder, em conjunto com o Ministério da Saúde, a criação e difusão em larga escala de campanhas socioeducativas de combate ao tabagismo, por meio da divulgação de dados estatísticos para que a população fique à parte dos danos catastróficos do cigarro. Outrossim, cabe ao Governo Federal, o investimento em pesquisa nas universidades para a descoberta de métodos alternativos e de tratamento aos fumantes, bem como na ampliação de trabalhos de psicoterapia e disponibilidade de medicamentos a esses. De mais a mais, é imprescindível que os cidadãos, enquanto parte do corpo social, se mobilizem para conscientizar amigos e familiares sobre os males do tabaco e suas consequências. Tomadas essas medidas, enfim, a saúde, diferentemente da água de boa qualidade, não precisará acabar para ser valorizada