Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 02/11/2018

Carpe diem é uma expressão em latim que significa aproveite o seu dia, cunhada por um poema de Horácio - um dos mais famosos poetas romanos - ainda na Roma Antiga. Na atualidade, a frase é comumente atribuída a uma filosofia intrínseca a juventude, o imediatismo, que busca justificar o prazer imediato em detrimento do racionalismo, que pondera sobre as consequências. Uma herança dessa filosofia são os altos números de tabagismo, que apesar de não se compararem aos anos dourados da tabacaria na década de 80, vêm crescendo exponencialmente, apresentando consequências negativas para a saúde pública, a economia e o meio-ambiente.

Em primeiro plano, há uma ampla repercussão acerca dos efeitos que o cigarro pode ter na saúde do fumante, sendo por lei obrigatório que os próprios fabricantes explicitem nas embalagens de seus produtos as consequências de seu uso: aumenta as chances de desenvolver doenças cardíacas, pulmonares, câncer e diabetes. Numericamente, estima-se que um quarto das mortes causadas por doenças coronarianas no mundo estão relacionadas ao tabagismo. Portanto, pode-se concluir que a população brasileira tem conhecimento dos malefícios do uso do tabaco, então por que os números continuam a crescer?

Muitos acreditam que o combate ao cigarro seja evitado por conta da lucratividade da indústria do tabaco, contudo segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o uso de tabaco além de matar mais de sete milhões de pessoas a cada ano, custa a famílias e governos mais de 1,4 trilhões de dólares. Em âmbito nacional, estima-se que essa indústria gere prejuízo de 14,7 bilhões ao ano. Além disso, segundo a diretora-geral da OMS, Margaret Chan o tabaco exacerba a pobreza, reduz a produtividade econômica, afeta negativamente a escolha de alimentos consumidos pelas famílias e polui o ar. Dessa forma, nota-se que sustentar esse problema não é uma questão economicamente efetiva. Uma alternativa que responde a essa pergunta se encontra na juventude, uma vez que segundo o INCA a maioria dos fumantes torna-se dependente até os 19 anos, com seu imediatismo inconsequente, a imagem do “fruto proibido” e a problemática de aceitação.

Tendo em vista a problemática do tabagismo para a sociedade, faz-se necessário uma intervenção governamental. Porém, embora muitos acreditem que a proibição da venda seja a melhor solução, a lei seca nos Estados Unidos na década de 20, que proibia o consumo e venda de bebidas alcoólicas e gerou tráfico e alimentou milícias. Assim, fica evidente que a melhor via está na educação. Por isso, cabe ao governo conscientizar os jovens acerca das consequências a longo prazo do consumo, através de palestras com ex-usuários nas escolas, a fim de reduzir o número de dependentes do tabaco.