Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 01/11/2018
O tabaco está presente em sociedades brasileiras pelo menos desde antes do século XV. Evidências de estudos de antigas tribos indígenas mostram que a planta tinha caráter sagrado e era utilizado em rituais ou para fins medicinais. No entanto, atualmente, o fumo é um problema de saúde pública no Brasil que precisa de atenção, principalmente devido ao número de doenças relacionadas ao tabagismo. Com efeito, não é razoável que o Estado e a sociedade civil sejam omissos em relação a problemática.
Primeiramente, cabe ressaltar que o tabaco além de prejudicial a saúde dos indivíduos, custa caro aos cofres públicos. O tabagismo pode gerar doenças em todos os sistemas do corpo devido a toxicidade do cigarro, entretanto, o mais prejudicado é o respiratório. Segundo o Instituto Nacional do Câncer, todos os anos são diagnosticados aproximadamente 30 mil cânceres de pulmão e 90% são em pessoas fumantes. No contexto, a maioria dos casos pode ser prevenida com o combate efetivo do fumo. Ainda de acordo com o INCA, os gastos com os tratamentos oncológicos respiratórios passam de 3 bilhões de reais ao ano. Nesse sentido, a prevenção do consumo do tabaco seria uma alternativa mais saudável e barata para o governo.
Ademais, a nicotina é altamente viciante e pode ter abstinência comparável com as de outras drogas, como heroína e o crack. A teoria do contratualismo, reforçada por Rosseau, afirma que o Estado e a sociedade firmam um acordo em que o objetivo é assegurar o bem-estar social e a ordem. Nesse viés, a negligência do Sistema de Único de Saúde, ao não oferecer tratamentos para o vício da nicotina evidencia uma quebra do contrato por parte do Estado, uma vez que existem várias formas eficientes para tratar abstinência de nicotina, como compridos e adesivos de nicotina em que o indivíduo consome a substância, mas não acumula os componentes nocivos pelo sistema respiratório, porém, essas terapias não estão disponíveis no SUS.
Tendo em vista o exposto, medidas são necessárias para amenizar as consequências do tabagismo na sociedade brasileira. A priori, o Ministério da Saúde deve investir em campanhas de prevenção ao fumo. Para isso, é preciso que as unidades básicas de saúde dos municípios façam visitas as famílias a fim de mostrar as consequências do tabaco e instruir aqueles que buscam pelo tratamento do vício. Para que a ação seja eficaz, o SUS precisa oferecer métodos mais atualizados para tratar a abstinência, além disso é imprescindível o acompanhamento médico e psicológico dos dependentes para que não voltem a fumar. Essas iniciativas são fundamentais para que o Estado cumpra seu dever para garantir que o bem estar social seja realidade no país.