Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 01/11/2018
A Constituição Federal, disponível no site da Presidência da República, assegura a inviolabilidade do direito à saúde. Contudo, ao observar o tabagismo na atualidade, nota-se que esse direito não é efetivado na prática. Com efeito, a problemática compromete o bem-estar da sociedade, seja por retrocesso comportamental, seja por inoperância estatal.
Convém ressaltar, a princípio, que o retrocesso comportamental desencadeia o tabagismo no Brasil hodierno. Consoante o filósofo polonês Zygmunt Bauman, as pessoas do século XXI vivenciam o advento da “modernidade líquida”, cuja principal característica é a volatilidade das relações sociais e a efemeridade. Nesse ínterim, o imediatismo colabora para o consumo exacerbado da nicotina, pois a ansiedade impede que os dependentes consumam com prudência. Como pontuou Bauman em seu estudo sobre espaço-tempo, a irreflexão, propiciada pela necessidade do prazer instantâneo, gera ações e escolhas prejudiciais ao agente, no caso, ao fumante.
Além disso, a inoperância estatal também subsidia o panorama. Para o sociólogo Émile Durkheim, as instituições operam de forma interdependente, como um organismo vivo, e a improdutividade de uma delas pode resultar no desequilíbrio da sociedade na qual estão imersas. Dessa forma, a vitalidade dos usuários é afetada em virtude do baixo fomento destinado à saúde, que é paliativa e ainda inacessível para as camadas mais carentes. Logo, a fragilidade desse setor público agrava a mazela social do fumo, conforme Durkheim.
Impende, portanto, que a Constituição Federal seja efetivada na prática. Faz-se necessário que o Ministério da Educação engaje publicidades na mídia televisiva e digital, que devem informar que a pressa e a ausência se seleção de insumos viciosos podem ocasionar em danos irreversíveis ao corpo, com o fito de criar consumidores prudentes. Ademais, cabe ao Ministério da Saúde solicitar uma alíquota, proveniente da Receita Federal, para investir na saúde e aumentar a oferta de tratamentos para fumantes, a fim de diminuir o número de dependentes. Somente assim a guisa de Zigmunt será rompida, a de Émile aplicada e o entrave, minorado.