Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 27/10/2018
Antes de cometer suicídio, ao ingerir barbitúricos, em meados do século XX, o escritor austríaco Stefan Zweig deixou uma declaração agradecendo ao Brasil por ter lhe acolhido tão bem. Radicou-se aqui devido à perseguição nazista na Europa. Fascinado com a nova casa, Zweig redigiu uma obra cujo título ufanista ainda ecoa: “Brasil, país do futuro”. No entanto, quando analisados os atuais problemas e consequências do tabagismo, percebe-se que sua visão não se materializou. Nesse sentido, dois aspectos são preponderantes: a comercialização nas redondezas das escolas e a oneração ao sistema de saúde.
Em primeiro lugar, o contato precoce com os derivados do tabaco, em especial nos locais frequentados periodicamente, banaliza aquilo. Com a finalidade de comprovar tal teoria, em 2010, o Instituto Nacional do Câncer realizou um estudo em que se apurou que na cidade de São Paulo, 70% dos locais em que o cigarro era comercializado ficavam a menos de 3 quarteirões de distância de alguma escola, sendo que em mais de 60% deles as embalagens eram visíveis aos jovens. Isso é um problema na medida em que muitas crianças vão a esses estabelecimentos e, com a publicidade dos produtos, ficarão tentados a experimentar em um futuro não tão distante, se levar-se em consideração que muitos comerciantes vendem para menores de idade, aumentando o número de usuários.
Além disso, quanto maior o número de fumantes, maior o valor gasto pelo governo para bancar o tratamento. Sendo assim, o congresso nacional aprovou, em 2016, mais um imposto sobre o cigarro, o que eleva seu valor e, desta forma, desestimula o consumo. Contudo, mesmo sendo um produto sobretaxado no país, seu valor de venda ainda é muito acessível, o que permite que os tabagistas mantenham o consumo sem muito prejuízo ao seu orçamento, fazendo com que a longo prazo surjam mais pessoas com doenças provenientes do uso direto ou indireto e que, por consequência, procurem tratamento na saúde estatal, o que irá aumentar gastos que poderiam ser evitados.
Destarte, visando mitigar os problemas e consequências do tabagismo no século XXI, cabe as prefeituras municipais, a proibição da venda de cigarros a menos de 6 quarteirões de distância das escolas de ensino fundamental e médio, com o intuito de reduzir a visibilidade dos produtos aos mais jovens e, assim, impedir que o produto e seu consumo se torne banal aos olhos deles. Ademais, faz-se necessário que o Poder Legislativo, proponha, em estudo conjunto com o Ministério da Saúde, o aumento do imposto incidente sobre os derivados do tabaco, a fim de se criar um fundo para tratar exclusivamente das doenças vindas do fumo e também para reduzir ao máximo o número de fumantes, uma vez que o preço irá aumentar.