Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 23/10/2018
Em 1492, ao chegarem à América, Cristóvão Colombo e sua tripulação se tornaram os primeiros europeus a terem contato com o tabaco, utilizado em rituais sagrados e fins medicinais pelas populações indígenas que habitavam o continente. Ao longo dos séculos, seu uso se relacionou direta e indiretamente à adoção de um novo estilo de vida, sobretudo na construção da própria personalidade de seus usuários, o que, ao longo dos anos, contribuiu para o aumento na incidência de doenças cardiorrespiratórias, como o câncer de pulmão, além do desenvolvimento de atividades lucrativas irregulares, tal qual o contrabando, favorecido pela forte procura e facilidade de comércio desses produtos.
Segundo dados do Ministério da Saúde, no Brasil, 200 mil mortes são causadas, todos os anos, pelo tabagismo. A grande quantidade de substâncias nocivas, como a nicotina, presentes no cigarro que, de acordo com a Fundação Oswaldo Cruz, ultrapassa o exorbitante número de 4 mil, além de seu uso indiscriminado e a forte dependência que causam, são as principais responsáveis pelo aumento pelo aumento na quantidade de fumantes em todo o país que, geralmente iniciam o hábito de fumar ainda na infância, influenciados por costumes tradicionais de aceitação social, como os chamados “batismos” em grupos de jovens, ou à desestruturação familiar, cuja orientação escassa abre as possibilidades de acesso ao mundo do vício, visto como uma solução ou fuga do convívio familiar fragilizado.
De maneira semelhante, o surgimento de atividades criminosas que se beneficiam dessa situação, como o tráfico de drogas e outras substâncias que causam dependência química, tornam-se muito lucrativas, levando-se em consideração o seu alto mercado consumidor e os baixos preços, se comparados aos praticados por estabelecimentos regulares. De acordo com o Fórum Nacional contra a Pirataria e Ilegalidade, somente em 2016, o contrabando representava 45% das vendas totais de cigarros no país, o que contribui para a captação de valores que fomentam atividades criminosas.
Portanto, indubitavelmente, cabe ao Ministério da Saúde atuar fortemente, por meio de campanhas de conscientização em meios de comunicação e redes sociais, que alertem a população sobre os malefícios e consequências do tabagismo no organismo humano, visando reduzir o número de casos de enfermidades por ele causadas. Ademais, é necessário que o Ministério da Justiça intensifique o contingente de operações policiais que fiscalizem e fechem pontos ilegais de comercialização de drogas, através da apreensão de cargas e prisão dos responsáveis, para que seja coibida a sua venda e seus possíveis compradores reintroduzidos à sociedade por meio de programas sociais de desintoxicação e combate a hábitos que sejam prejudiciais à saúde pessoal e, também, à ordem social.