Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 22/10/2018

Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, diz em suas “Memórias Póstumas” que não teve filhos e não transmitiu a nenhuma criatura o legado da nossa miséria. Talvez hoje ele percebesse acertada sua decisão: a postura insuficiência do Estado Brasileiro frente ao uso de substancia prejudiciais a saúde como o tabaco é uma das faces mais perversas de um país em desenvolvimento que mira o bem-estar de sua sociedade. Com isso, surge a problemática do combate ao tabagismo, que persiste intrinsecamente ligado à realidade do país, seja pela condenação no ambito familiar, seja pela lenta mudança de mentalidade social.

Cabe ressaltar que o ser humano é um ser social, o que traz a tona a questão da exclusão como um problema considerável. Nesse âmbito, um exemplo notório reside no ambiente familiar,no qual, em muitas famílias, o indivíduo adepto do tabagismo sofre ofensas,condenações morais e são enxergado socialmente como mal exemplos a ser seguido, levando a tona o questionamento da saúde mental desse cidadão. Conforme o pensador indiano Oshe, o medo da exclusão social é a principal causa para um indivíduo deixar de lado a sua própria identidade, o que pode gerar consequenciais como a depressão e o suicídio.

Outro fator importante reside no fato de que as pessoas estão vivendo tempos de “modernidade líquida”, conceito proposto pelo sociólogo Zygmunt Bauman, o qual evidencia o imediatismo das relações sociais. Atualmente, pode-se notar que o fluxo de informações ocorre em grande velocidade, fenômeno que muitas vezes dificulta uma maior reflexão acerca dos dados recebidos, acostumando o ser a apenas utilizar o conhecimento prévio. O indivíduo, então, quando apresentado a parte da população com vícios em cigarro tem dificuldade em respeit-alas, uma vez que sua formação pessoal baseou-se somente em uma esfera de vivência, como por exemplo a condenação bíblica a vicios, o que pode comprometer o convívio social e o pensamento crítico e marginalizando ainda mais aqueles que faz uso do tabaco, dificultando a integração e a reabilitação do fumante.

Diante disso, urge que o Poder Público intensifique campanhas de conscientização social, por meio de mídias de grande alcance. É imperativo, também, que o Ministério da Fazenda amplie o sistema de taxas desse produto mortal, fazendo o consumo ser tonar caro e o seu uso cair gradativamente, juntamente com o incentivo à criação de ONGs com o intuito de acolher e a motivar a ressocialização dessa parte da polução . Em consonância, cabe ao Ministério da Educação juntamente com o Ministério da Saúde estimular as escolas a desenvolverem palestras que retratem os malefícios do cigarro a saúde.