Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 24/10/2018
Segundo o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade pode ser comparada a um “corpo biológico”, por ser, assim como esse, composta por partes que interagem entre si. Desse modo, para que esse organismo seja igualitário e coeso é necessário que todos os direitos dos cidadãos sejam garantidos. Contudo, isso não ocorre no Brasil, pois em pleno século XXI, o tabagismo ainda é um grave risco à saúde e à qualidade de vida nacional. Essa persistente problemática é fruto, principalmente, da continua “glamourização” do seu uso e da banalização de seus efeitos.
Com a inserção na indústria do entretenimento, o tabaco conquistou o imaginário da sociedade, tornando-se uma espécie de termômetro da elegância. Dessa maneira, o ato de fumar transformou-se em objeto de desejo, levando diversas pessoas a aderir tal prática com o intuito de serem socialmente aceitas. Entretanto, o preço dessa convenção social tem sido alto, pois, segundo a OMS, o equivalente a população da cidade do Rio de Janeiro morre vítima dele todos os anos no mundo.
Somado a isso, com os avanços medicinais da atualidade, percebe-se o crescimento da banalização das consequências do uso dessa substância. Essa situação cria uma falsa sensação de que a medicina tem a solução para todos os problemas, o que não é verdade. Ademais, esse pensamento não leva em consideração o tormento que as doenças provocadas pelo tabagismo inflige, a exemplo da necessidade do tratamento quimioterápico contra o câncer, cujos efeitos levam o organismo ao extremo sofrimento, a fim de destruir as células cancerígenas.
O tabaco é causa da desregulação do organismo biológico e, portanto, deve ser combatido. Para isso, faz-se necessária uma parceria entre os Ministérios da Saúde e da Educação com o intuito de levar palestras socioeducativas e feiras de saúde com ênfase nos males causados pelo cigarro e seus derivados às escolas e comunidades, além da distribuição de cartilhas que retratem, a partir de depoimentos reais, o crescimento da qualidade de vida dos ex-usuários ao terem abandonado esse vício. Concomitantemente a isso, o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão em conjunto com ONGs e Secretarias de Saúde dos Estados deve investir em centros de apoio aos usuários que queiram abandonar essa prática, mas que sozinhos não têm forças para tal. Sendo assim, as bases para levar a sociedade à homeostase terão sido alicerçadas.