Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 20/10/2018

Conforme o sociólogo Zygmunt Bauman, o indivíduo vive, atualmente, em uma sociedade onde as incertezas prevalecem. Essa nova modernidade, a qual ele chamou de “modernidade líquida”, tirou do ser humano as certezas quanto ao emprego, relacionamentos e bem-estar. Diante disso, a tendência humana é buscar outras formas, como o tabaco, a fim de alterar a consciência, produzir prazer e modificar o humor. Neste contexto, o problema do tabagismo denota de um país com grande acessibilidade ao cigarro e míngua assistência ao fumante numa tentativa de cessar o uso.

Convém ressaltar, a princípio, a fácil obtenção do fumo como um dos produtores da problemática. Isso decorre, da forma de exposição ao comercializar o produto, dar-se, então, como propaganda, atraindo consumidores. Ainda convém lembrar que, a indústria tabagista adiciona produtos saborizados, como o mentolado, com o intuito de tornar o uso mais prazeroso. Em decorrência disso, atrelada às incertezas do mundo contemporâneo, os jovens tem buscado refúgio no cigarro, pela facilidade e estímulo por parte da indústria e comércio.

Além disso, nota-se que, o escasso auxílio aos fumantes causa a manutenção do tabagismo no Brasil. Isso porque, embora haja tratamentos com medicamentos, o tabagista num processo de deter a prática se depara com grandes desconfortos físicos e psicológicos. Uma vez que não há aprendizagem de comportamento vinculada á mudanças de hábitos. Por consequência disso, o fumista permanece no vício por falta de apoio e desinformação do método de não uso do cigarro. Não é a toa, então, que 57% dos fumantes brasileiros que tentaram parar disseram que precisariam de ajuda, de acordo com um levantamento da Fundação Para um Mundo Livre de Fumo.

Torna-se evidente, portanto, que é imprescindível a mitigação dos desafios no controle do tabagismo. Em razão disso, cabe ao Poder Legislativo juntamente com a Anvisa, dificultar os jovens à experimentação do cigarro e desestimula-lo ao uso. De forma que crie uma nova regulamentação e leis eficientes, disposta à proibir a exposição do tabaco nos locais de venda, mas também desautorizar aos produtores a introdução de aditivos no cigarro.

Outrossim, urge um esforço do Ministério de Saúde em parceria com o Ministério de Comunicações, ao criar um aplicativo cabível à todos os sistemas operacionais. Tal aplicativo deverá contém psicoeducação e coaching motivacional, com intenção de orientar e estimular o usuário a não fumar, com teorias e técnicas reconhecidas mundialmente. Somente assim, mesmo contido numa  “modernidade líquida”, o uso do tabaco será controlado.