Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 20/10/2018
Cultura tóxica
É evidente que a Idade Contemporânea apresentou significativos avanços na área técnico-científica, refletindo expressivamente no âmbito social e político. Contudo, mostra-se visível o retrocesso cultural de hábitos como o tabagismo, que teve no movimento hippie dos anos 50 uma profunda popularização do fumo, associando-o, sobretudo, à busca pelo prazer espontâneo. Por sua vez, tal costume permanece forte na sociedade do século XXI, devido principalmente a entraves como o estímulo contínuo ao seu uso e a falta de apelo político-educativo a sua prevenção.
Primeiramente, apontado pelo filósofo Karl Marx em “materialismo histórico”, o desenvolvimento do capitalismo favorece a ascensão dos interesses privados da classe dominante em detrimento do bem-estar social. Analogamente, o lucro obtido com a venda do cigarro faz com que a sua utilização seja crescentemente difundida, através da presença expressiva de personagens fumantes de telenovelas em papéis descolados e ironicamente saudáveis, bem como a omissão da mídia em alertar sobre os malefícios dessa prática -como a defasagem na qualidade de vida e o risco de morte. Por conseguinte, o consumo da droga é naturalizado e estimulado, propagando o seu alcance.
Ademais, quando Nelson Mandela afirma que “a educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo”, corrobora a ideia de que embora o tabagismo seja extremamente tóxico e cause dependência química ao organismo humano, esse hábito nocivo tende a perpetuar em uma sociedade marcada pela precarização de políticas públicas de prevenção e informação. Deve-se a isso, o tabu existente sobre o debate de drogas nas escolas, refletindo-se na falta de incentivo em divulgar os problemas e consequências atrelados ao fumo, como o surgimento de doenças cardiopulmonares, câncer e diabete. Sincrônico a esse fato, a precária busca pelo controle desse vício, que carece de tratamento e atenção, fazem com que esse parâmetro se agrave.
É imprescindível, portanto, uma análise crítica a respeito do paradigma atual da cultura do tabaco, a fim de desconstruí-la. Para tal, as Instituições de Ensino juntamente aos veículos midiáticos devem transmitir informações sobre os efeitos do cigarro, por meio de palestras, eventos culturais e propagandas, para que a prevenção consciente seja alcançada e seu uso minimizado. Outrossim, a Esfera Pública e o Ministério da Saúde devem atuar em conjunto no tratamento integral dos pacientes viciados, oferecendo alternativas para a cura do vício e acompanhamento psicológico, a fim de efetivar o controle de forma eficaz. Dessa forma, o tabagismo se torna uma questão isolada na sociedade, perdendo força e dando lugar à vida saudável e de qualidade.