Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 19/10/2018

A Constituição Federal - promulgada em 1988- garante aos cidadãos o direito à saúde e integridade física. Conquanto, o tabagismo é um revés a esse direito, dificultando grande parte da população de exercê-lo. Nesse contexto, o cigarro afeta todos os indivíduos, desde o feto até idosos, exemplificando o tamanho dessa problemática na sociedade atual.

A princípio, é importante destacar a grande influência do fumo nos gastos com saúde e disposição de lixo. Todavia, isso destoa sobre o pensamento de Kant em Crítica da Razão Prática, que dizia que as políticas e leis devem ser feitas para o bem universal. Porém, o grande ônus gerado pelo tabagismo faz com que o dinheiro seja utilizado para o tratamento específico de doenças, como a cirrose e o câncer de pulmão, impedindo investimentos para outras doenças que ocorrem naturalmente de forma frequente, como por exemplo, o câncer de próstata. Além disso, ocorre a necessidade de alocação dos resíduos gerados, uma problemática ligada ao saneamento básico, intrinsecamente conectada à saúde, propiciando gastos segundo o Ministério da Saúde, de até 0,5% do PIB brasileiro (cerca de 68 bilhõs de reais).

Outrossim, é importante destacar a influência gerada até mesmo em não fumantes, com o recente crescimento de doenças ligados ao fumo passivo. De acordo com o pensamento de Zygmunt Bauman em Modernidade Líquida, a ausência de solidez nas interações sociais gera o individualismo, sendo essa uma marca da sociedade atual. Destarte, segundo uma pesquisa feita pelo SESI Farmácia, é possível evidenciar um aumento de até 30% de chance de um fumante passivo desenvolver câncer de pulmão, além de trazer sérios riscos ao feto no caso da mulher grávida, incluindo, aborto espontâneo e má formação fetal. Dessa forma, são demonstradas a incoerência do vício e seus danos, uma consequência que somente o fumante pode mudar, mas toda sociedade sente seus efeitos.

Infere-se, portanto, a dificuldade desses entraves nas políticas públicas atuais. Ademais, é necessário que o Ministério da Saúde promova campanhas de conscientização, por meio de propagandas e, por meio de distribuição de remédios à base de nicotina, que auxiliam na superação do vício em cigarro. Além do mais, cabe ao Ministério Público fiscalizar o cumprimento da lei que proíbe fumar em locais públicos, seja por meio da adoção de fiscais ou então pela criação de fumódromos, dessa forma, evitando o contato da população saudável com os gases tóxicos exalados pelo cigarro. Assim, será possível obter uma sociedade mais saudável e íntegra.