Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 22/10/2018
A Constituição Federal de 1988 - promulgado no governo de José Sarney - assegura a todos a proteção à saúde. Entretanto, a recorrência do tabagismo, que acarreta diversos problemas de saúde e gastos públicos e familiares, revela que uma parcela significativa dos brasileiros ainda não experimentam esse direito na prática. Dessa maneira, faz-se necessário evidenciar que a negligência estatal e a influência histórica são os principais impasse relacionados à essa problemática.
Em primeira análise, heranças históricas e culturais propiciam a manutenção de um organismo pouco saudável. Nesse sentido, adeptos ao Movimento Contracultura, que teve início na década de 60, utilizavam drogas como estratégia de subversão social e fuga à realidade - advinda do Movimento Hippie americano. Em consonância com Pierre Bourdieu e sua teoria “Habitus”, a sociedade naturaliza, incorpora e reproduz padrões sociais que lhe são impostos. Nessa perspectiva, o uso do tabaco é naturalizado e reproduzido por muitos, o que pode ser observado no comportamento de indivíduos de diversas faixas etárias que usam o tabaco, capaz de acarretar vícios ate irreversíveis. Dessa forma, se a inconsequência experimentada no Movimento Hippie se mantiver, o Brasil será obrigado a conviver com um dos maiores problemas de saúde pública: o tabagismo.
Por outro lado, a ineficiência estatal configura-se como um impasse de tal problemática. A esse respeito, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman em “Modernidade Líquida” afirma que o Estado perdeu sua função, mas mantém sua forma e configura-se como uma Instituição Zumbi. Dessa forma, algumas entidades estatais - a exemplo do Ministério da Saúde - não desempenham sua função com eficácia, pois não possuem um efetivo poder persuasivo para alertar os cidadãos sobre os riscos do tabagismo, como câncer e dependência química. Assim, enquanto o problema denunciado por Bauman for a regra, o fim do tabagismo será a exceção.
Impende, portanto que o direito à saúde seja, de fato, assegurado, como prevê a Constituição Cidadã. Desse modo, cabe à sociedade civil realizar debates, por intermédio das mídias televisivas e sociais para repudiar a influência histórica e cultural ao ato de fumar, com vistas à desconstrução da perpetuação do tabagismo. Ao Ministério da Saúde, por sua vez, compete elaborar projetos socioeducativos, por meio de acordos firmados com o Programa Nacional de Controle ao Tabagismo, com o intuito de expor ao corpo social as sérias consequências advindas do hábito fumar, visando a diminuição do índice de fumantes no Brasil. Com efeito, os desafios do tabagismo poderão ser mitigados e muitos cidadãos deixarão de ter sua saúde fragilizada.