Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 21/10/2018
Saúde fragilizada
A Constituição Federal de 1988 - norma de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro - assegura a todos à saúde. Entretanto, os impasses ligados ao tabagismo no país, como a influência da mídia e negligência estatal, impedem que parcela do corpo social usufrua desse direito na prática. Com efeito, faz-se necessário pautar, em pleno século XXI, os desdobramentos dessa faceta caótica e seus prejuízos para a nação.
Em primeira análise, o apelo midiático exerce uma influência histórica na manutenção de um organismo pouco saudável. Nesse contexto, o historiador Sérgio Buarque de Holanda constatou que os brasileiros são suscetíveis às influências estrangeiras, e a publicidade atual é consequência direta da globalização. Destarte, empresas renomadas diversificam propagandas e produtos, a fim de impor aos indivíduos o crescente desejo pelo hábito de fumar. Contudo, não é razoável que a imposição publicitária persista em incentivar hábitos nocivos à saúde em um Estado Democrático de Direito.
Sob outro viés, a ineficiência governamental é obstáculo para solucionar a problemática. A esse respeito, o filósofo Karl Marx disserta sobre a inescrupulosa atuação do Estado, que assiste apenas a classe dominante. Destarte, alguns órgãos estatais - a exemplo do Ministério da Saúde - não desempenham sua função com eficácia, pois não possuem um efetivo poder persuasivo para alertar os cidadãos sobre os riscos do tabagismo, como câncer e dependência química. No entanto, é paradoxal que as questões sociais não sejam vistas com prioridade pelo poder público.
Urge, portanto, que o direito à saúde seja, de fato, assegurado, como prevê a Carta Magna de 1988. Nesse sentido, cabe à sociedade civil realizar debates, por intermédio das mídias televisivas e sociais, para repudiar o incentivo publicitário ao ato de fumar, com o objetivo de criticar a influência do tabagismo imposta pelos comerciais de muitas corporações, com vistas à desconstrução do apelo midiático abusivo. Ao Ministério da Saúde, por sua vez, compete elaborar projetos socioeducativos, por meio de acordos firmados com o Programa Nacional de Controle ao Tabagismo, com o intuito de expor ao corpo social as sérias consequências advindas do hábito de fumar, visando a diminuição do índice de fumantes no Brasil. Com essas iniciativas, poder-se-á mitigar os desafios do tabagismo, e muitos cidadãos deixarão de ter, na prática, sua saúde fragilizada.