Superexposição nas redes sociais

Enviada em 14/07/2021

O escritor francês Guy Debord, em sua obra Sociedade do Espetáculo, desenvolveu que as relações sociais são mediadas por imagens, visto que, os individuos ficam seduzidos por figuras de perfeição, que são irreais ou apenas idealizadas. Nesse sentido, grande parte da população brasileira também se ilude com uma exatidão presente apenas em seu imaginário.  Com efeito, há de se desconstruir a busca pela perfeição inexistente, bem como a instabilidade que a superexposição online causa.

A esse respeito, o pai da psicanalise Sigmund Freud, definiu em seu conceito “Cultura de Sucesso”, que o indíviduo moderno deve ter êxito em todas as atividades que se propõe a fazer, essa imposição seria capaz de subjugá-lo ao mal-estar da modernidade. Com efeito, as redes sociais são as principais influenciadoras que persuadem os internautas a buscar incessantemente pelo sucesso, e muitas vezes se decepcionar ao perceber que as conquistas não são tão fáceis de alcançar como pregam as pessoas que postam só seus momentos de prestígio e iludem a todos com essa vida “ideal”. Assim, a superexposição nas redes evidencia uma grave mazela social: a procura obstinada pela falsa felicidade.

Outrossim, a superexposição nas redes sociais, prejudica o bem-estar social, tendo em vista que causa instabilidade na segurança dos cibernéticos. Nesse viés, a lei 12.737/2012, conhecida como Lei Carolina Dieckmann, proíbe crimes como clonagem de cartões de crédito, vazamento de dados, pedofilia e cyberbullying, entretanto, apesar do vigor da lei, ainda é um desafio encontrar a identidade do agressor, e uma vez que informações ou fotos pessoais foram jogadas na internet, é irreversível deletá-las do mundo digital. Dessa forma, enquanto a exposição na internet for a regra, a privacidade e segurança permanecerão sendo exceção na vida da sociedade brasileira.

A superexposição na rede deve portanto, ser controlada e não expandida. Dessa maneira, o Ministério da Justiça e da Segurança Pública em conjunto com o Ministério da Saúde, por meio de cursos e oficinas, deve aumentar a sua capacidade tecnológica a fim de encontrar os agressores de maneira mais simplificada e concomitantemente, demonstrar que a vida perfeita exposta na internet é baseada em idealizações e falsa perfeição, logo, não tem como se contemplar apenas com bons resultados. Essa iniciativa poderia se chamar “Insegurança e ilusão, na internet, não” e teria a finalidade de evitar que constrangimentos afetassem a vida e a dignidade das pessoas, reduzindo suas frustrações com enganosos esmeros.