Superexposição nas redes sociais
Enviada em 28/05/2021
O documentário “O Dilema das Redes Sociais”, da plataforma de streaming “Netflix”, faz diversos levantamentos acerca do uso das mídias sociais e seu funcionamento, um dos tópicos discutidos é o da “bolha” criada pelos algoritmos - ferramentas digitais que regem os conteúdos mais frequentes para cada usuário - que faz com que o indivíduo se sinta confortável em um ambiente artificialmente criado, fato que favorece o fenômeno da exposição excessiva, por minimizar a noção das consequências. Visto isso faz-se essencial compreender como a internet controla a percepção humana na contemporaneidade, bem como os impactos negativos gerados pela superexposição nas redes sociais.
Em primeiro plano, é importante ressaltar de que maneira a infiltração da internet na vida cotidiana afetou as relações sociais. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, criador do conceito “sociedade líquida”, as relações humanas estão cada vez mais superficiais e efêmeras justamente pelo comportamento de supervalorização do meio digital, que de fato gerou grandes confusões perceptivas na vida humana. Além disso, a “sociedade do espetáculo” formulada por Guy Debord também se relaciona à liquidez de Bauman, mas transparecendo o lado da necessidade de exibição, fundamentada na atenção recebida. Sendo assim, diversos usuários caem no erro da exposição excessiva, colocando publicamente informações pessoais e muitas vezes impróprias, que mesmo após serem apagadas estarão eternamente registradas na mídia.
Ademais, os impactos negativos gerados pela problemática se mostram crescentes pela grande escala de propagação que as mídias possuem. De acordo com um levantamento do IBGE, aproximadamente 181,1 milhões de brasileiros estão conectados à rede, sendo 98% de ativos nas mídias sociais, dado que evidencia o crescimento da ferramenta, ampliando também suas consequências negativas, como o arrependimento tardio sobre postagens, ou a falta de consciência sobre os malefícios da exposição, que ultrapassam o digital, como por exemplo na busca de empregos. Posto isso, fica clara a gravidade da temática e sua exigência de soluções prontamente.
Portanto, urge que os Ministérios da Educação e Tecnologia trabalhem em conjunto em prol da minimização dos impactos negativos causados pela superexposição, através do financiamento de campanhas que conscientizem a população acima do funcionamento das redes sociais, e de medidas que ajudem os usuários a desviarem de possíveis problemas que o mal uso pode gerar, orientando os cidadãos e visando um evolução na utilização desse recurso. Somente assim, criando projetos que potencializem os impactos positivos das mídias, a sociedade moderna irá caminhar para um futuro mais consciente e autônomo, revertendo os cenários atuais mostrados no “Dilemas das Redes”.