Superexposição nas redes sociais

Enviada em 29/04/2021

Em um capítulo da série televisiva “Black Mirror”, é relatada a trajetória de uma determinada usuária de mídias, em que após quadros de persistência e de baixo controle em possuir o dever de exibir uma vida perfeita nas redes, ela se perde em sua narrativa de vida e jornada, e acaba tornando- se fora de si e de sua própria realidade. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada pela episódio pode ser relacionada ao mundo comunicativo atual: gradativamente, o excesso de exibicionismo nas redes associado ao dever em apresentar a vida de forma sublime corroboram para quadros de alienação e idealização social do público, preso em uma grande bolha sociocultural.

Em primeiro lugar, é importante destacar que, em função das novas tecnologias, internautas estão cada vez mais expostos a uma gama limitada de conteúdos na internet, consequência direta do desenvolvimento de usuários filtradores de informações a partir do uso pessoal individual. De acordo com o filósofo Pierre Lévy, vive- se atualmente um período de realidade ilusória. A partir do paradoxo, a ideia central de sua tese é pautada no desenvolvimento e na possibilidade de novas formas de interação cibernéticas chamada sociedade hiperconectada, semelhante vista em “Black Mirror”. Assim, os internautas e influenciadores são conectados e apresentados a uma nova perspectiva de vida.

Por conseguinte, presencia- se um forte poder de influência desses internautas e influenciadores no comportamento da coletividade comunicativa: ao divulgar e apresentar somente o que lhe convém, o cidadão tende a continuar preso em uma bolha sociocultural pela qual não o pertence. Em seu livro “Modernidade líquida”, o pensador Zygmunt Bauman dialoga sobre uma maior “frouxidão e superficialidade” das relações sociais. Segundo o filósofo, é muito mais fácil ostentar algo do que sustentar algo. Paralelamente, na série “13 Reasons Why”, é relatado esse caos pelo qual é propagado pelos estudantes em produzir conteúdos alienadores a partir do gosto coletivo e facilmente atingível.  Portanto, é mister que o Estado tome providências para atenuar o quadro atual. Para a conscientização da população brasileira a respeito do problema, urge que o Ministério da Cultura via Ministério da Saúde crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias nas mídias sociais e debates acerca do tema avaliado que detalhem a importância de se manterem atentos ao interesses coletivos e avistam ao público o perigo dessa alienação, sugerindo ao interlocutor buscar hábitos pessoais individuais e a buscar informações de fontes variadas para se manter em mente e saúde ao que ele é submetido. Somente assim, será possível combater essa passividade de muitos que utilizam as redes no país de maneira alternada, e, ademais, estourar essa bolha social que da mesma forma construíram- se em “Black Mirror”.