Superexposição nas redes sociais
Enviada em 24/04/2021
De modo ficcional, a série “Black Mirror” exibe em um dos seus episódios, uma sociedade em que as pessoas recebem e dão notas uns aos outros, por meio do celular, na qual pode variar de 0 a 5 e quanto maior for sua pontuação, mais bem-visto e privilegiado será. Fora da ficção, não é muito diferente, visto que para ter visibilidade, é corriqueiro superexpor nas redes sociais uma vida glamurosa, na qual não corresponde a realidade.
Primeiramente, é importante destacar que de acordo uma pesquisa realizada pela Intel Security, dentre 507 crianças e adolescentes no Brasil, 83% dos usuários entre 8 e 12 anos já estão ativos nas redes sociais e entre adolescentes de 13 e 16 anos a porcentagem chega a 97%, tornando evidente, então, a superexposição precoce e a falta de supervisão dos responsáveis. A internet surgiu no auge da Guerra Fria para facilitar a comunicação entre militares, hodiernamente, quase tudo é feito online, desde compras até consultas médicas, com isso, é notório que as redes sociais oferecem muitos benefícios para facilitar o dia a dia, portanto, o problema não são as mídias sociais em si, mas o mau uso que é feito delas.
Ademais, muitos tomam atitudes inconsequentes, como sempre postar a sua localização, fazendo com que pessoas anônimas saibam de suas rotina, além de correr o risco de ter um cyberstalking, isto é, utilizar a internet com o objetivo de perseguir alguém. O sociólogo e filósofo polonês Zygmunt Bauman, defendia como a modernidade tornou as relações humanas mais voláteis e imediatistas e mostrou como tudo que fazemos e pensamos é idealizado com base no ato de consumir e ser consumido também, visto isso, pode-se dizer que a mercadoria mais comum no mercado agora, são as pessoas; é uma cultura narcisista, que requer o outro apenas para audiência.
Em vista dos fatos supracitados, faz-se necessário a adoção de medidas que venham diminuir a superexposição nas redes sociais. Por conseguinte, cabe ao Estado, estimular campanhas e propagandas que venham conscientizar e alertar os usuários sobre o assunto. Por sua vez, responsáveis e escolas devem andar juntos, para que, desde cedo os jovens entendam essa problemática, por meio de debates nas salas de aula e palestras que ensinem como usar as mídias sociais de uma forma saudável, já os responsáveis devem sempre estar cientes sobre o círculo de amizade e sobre o que os filhos postam na internet. Somente assim, é possível que a sociedade se conscientize e entenda a gravidade desse assunto, para assim, evitar que a vida seja baseada em “likes”, assim como na série “Black Mirror”.