Superexposição nas redes sociais
Enviada em 13/12/2020
No episódio “Queda livre” da série americana “Black Mirror”, o diretor Joe Wright mostra ao público uma realidade fictícia onde as pessoas são qualificadas por meio da quantidade de avaliações que recebem em um aplicativo de celular. Fora das telas e na sociedade hodierna não se faz tão diferente, uma vez que a superexposição nas redes sociais cresce cada vez mais por conta, principalmente, da busca por aceitação e prestígio social, podendo gerar inúmeros prejuízos aos indivíduos.
Em primeiro lugar é importante destacar o anseio pelo reconhecimento pessoal por meio das mídias virtuais como uma causa essencial do super exibicionismo nas mesmas. De acordo com o sociólogo contemporâneo Zygmunt Bauman: “o medo da exposição foi abafado pela alegria de ser notado”. Logo, é certo que as pessoas estão de tal maneira preocupadas em serem vistas e admiradas que se sujeitam a qualquer situação para terem boas impressões, desde se submeter a padrões sociais idealizados até ignorar os riscos da grande exposição.
Ademais, ao tratar-se dos danos gerados à sociedade hiperconectada, é imprescindível falar a respeito de transtornos psíquicos e suas consequências. Segundo um estudo realizado pela Universidade de Londres, meninas conectadas às mídias sociais têm o dobro de chances de apresentarem sintomas depressivos. Tal situação salienta que o exibicionismo exacerbado pode gerar padrões de vida elevados que quando não alcançados causam frustrações, desânimo, baixa autoestima, levando a depressão.
Portanto, de acordo com os argumentos aqui defendidos, urge medidas a serem tomadas. Essas, por sua vez, são responsabilidade dos websites e dos grandes veículos de comunicação. Cabe a eles evidenciar os perigos da superexposição nas redes sociais e desestimular suas causas por meio de propagandas apelativas para que os usuários tenham experiências sociais mais saudáveis dentro do âmbito digital. Apenas desse modo a sociedade estará distante de viver a realidade abstrata demonstrada por Black Mirror.