Superexposição nas redes sociais
Enviada em 25/11/2020
O filósofo francês Sartre defende que cabe ao ser humano escolher seu modo de agir, pois este seria livre e responsável. No entanto, percebe-se uma irresponsabilidade da sociedade no que concerne à exposição da sua própria imagem. Ademais, segundo a revista Forbes, o Brasil é país da América Latina que mais consume as redes sociais e isso pode acarretar em algumas implicações que vão além do âmbito virtual.
A priori, vale ressaltar que a superexposição nas redes sociais fundamenta-se na necessidade do indivíduo se sentir aceito socialmente, da autoafirmação, pois vive-se em um período no qual existe um bombardeio de imposições por parte da mídia e da sociedade sobre o que é ser bonito, bem sucedido e feliz. Mas não apenas isso. Na contemporaneidade vende-se uma vida perfeita de fama e ostentação através das mídias e como isso pode ser conquistado através dos “likes” das redes sociais. Dessa forma, muitos se expõe de diversas maneiras, mas com o fito em comum de alcançarem todas essas coisas que dizem serem oferecidas.
Além disso, no tempo presente, toda informação é viral, ou seja, tudo se espalha rapidamente, e permanente, logo, uma frase mal dita ou uma situação vexatória que foi filmada e divulgada pode acompanhar aquela pessoa por toda sua vida. Contudo, isso pode acarretar em problemas reais, como a depressão, crises de ansiedades e afins, uma vez que a auto-exibição deixa qualquer um passivo de críticas e muitos não conseguem lidar com elas.
Outro aspecto importante que vale ser salientado é a quantidade de informações pessoais que é disponibilizado nas redes sociais, principalmente através dos cadastros nos aplicativos, assim como nas compras virtuais. Como consequência, de acordo com a Divisão Especializada de investigação aos Crimes Cibernéticos e Defesa do Consumidor (DEICC), o número de queixas relacionadas ao uso indevido da imagem, como montagens ou distorção da fala, e estelionato virtual aumentou quase 30% do ano de 2019 para o ano de 2020.
Em virtudes dos fatos mencionados, é necessário que haja a conscientização da população acerca dos malefícios da superexposição nas redes sociais. Portanto, cabe uma ação conjunta do Estado em parceria com os grandes veículos midiáticos, como as emissoras de televisão e jornais impressos e digitais, para que a informação acerca do assunto aqui abordado seja difundida na sociedade. Isso pode ser feito por meio de propagandas, documentários ou qualquer outro gênero que aborde com profundidade o assunto. Só assim será possível a criação de uma cultura mais responsável do consumo da internet e das mídias sociais virtuais.