Superexposição nas redes sociais
Enviada em 11/01/2021
Machado de Assis, em sua fase realista, teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizavam o Brasil. Não longe da ficção, percebem-se aspectos semelhantes no que tange à superexposição nas redes sociais, dado que esse cenário espelha a necessidade de muitos de auto se exibirem, em troca de notoriedade. Dessa forma, é preciso entender que tal panorama demostra o silencimaneto da questão e a perda de laços sociais.
Em primeiro plano, é preciso amplos debates sobre o exibicionismo na internet. Sob esse viés, o filósofo Habermas afirma que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Nesse sentido, percebe-se que a maioria das grandes mídias e escolas falha enquanto agentes fundamentais da informação. Por consequência, os indivíduos deixam de refletirem verdadeiramente sobre a superexposição na internet e passam a não problematizarem tais atitudes, tornando-as banalizadas. Dessa forma, nota-se a importância do dialogo para atuar no problema, conforme explica Habermas.
Em paralelo, essa situação gera uma lacuna nos laços sociais. Sob essa perspectiva, o filósofo Bauman defende que a sociedade hodierna é influenciada pelo individualismo. A respeito disso, observa-se essa tese de maneira especifica na superexposição nas redes sociais, uma vez que esse cenário corrobora para um culto exacerbado da própria imagem, como a postagem constante de “selfis”. Dessa forma, o individuo passa a olhar muito mais para si do que para o mundo que o rodeia.
Portanto, com a finalidade combater a superexposição na internet e, assim, minimizar o individualismo, urge que o MEC - órgão máximo da educação brasileira- faça amplos debates sobre essa questão nas escolas. Para tal, a ação deve ocorrer por meio de dinâmicas interativas e conter a participação de professores de Sociologia para explicar como se constrói a necessidade do exibicionismo e como ele deve ser evitado. Somente assim o realismo de Machado não retratará o Brasil hodierno.