Superexposição nas redes sociais
Enviada em 24/09/2020
Na série distópica “Black Mirror”, no episódio “Queda Livre”, é retratada a vida em sociedade com base nas curtidas recebidas nas redes sociais, a protagonista Lacie em busca desses “likes” acaba a perder sua própria identidade. Analogamente, na Era Digital, as redes sociais para além de aplicativos de comunicação, também se tornou um local para exibicionismo de grande parte dos usuários, o que acarreta dependência virtual e riscos na segurança de dados. Sob tal ótica, a supervalorização do “eu”, bem como a superficialidade das relações no mundo virtual são fatores que põe em xeque a necessidade de equilíbrio entre o público e o privado na sociedade brasileira.
Convém destacar, a princípio, o processo de autopromoção nas redes sociais por meio da exposição sem limites, o que causa um processo de alienação em sociedade. Isso porque usuários abrem mão da privacidade com o compartilhamento de suas rotinas e intimidade nas redes sociais, como o Facebook, Instagram e Twitter. Nessa perspectiva, tal cenário mostra-se de acordo com a “sociedade hiperconectada”, do exímio sociólogo Pierre Lévy, a qual exemplifica uma interligação de indivíduos à medida que usam cada vez mais a internet. Desse modo, toda a conectividade em rede pode favorecer a comunicação e a informação, contudo há perigos com relação a perda de identidade desses internautas, pois o indivíduo estaria em contato com a vivência de outras pessoas por um meio digital e ter a percepção de idealização da vida daquele perfil a quem ele segue.
Ademais, ainda é relevante analisar o contexto de superficialidade nas relações sociais, como também da espetacularização de situações e de pessoas cada vez mais presente. É válido ressaltar a intensificação do uso dos meios virtuais na comunicação, por conseguinte nota-se um isolamento da convivência entre o individual e o coletivo, com isso, o usuário utiliza as redes sociais como forma de se relacionar com o outro, porém tal relacionamento é fragilizado pela falta de solidez. Dessa maneira, consoante ao icônico sociólogo Zigmunt Bauman a sociedade pós-moderna estaria em uma situação de liquidez devido a necessidade de conexões mais profundas e para além de curtidas. Logo, em busca de aceitação o indivíduo usa do exibicionismo ou até mesmo de postagens sobre os mais variados assuntos para atrair a atenção de mais seguidores.
Fica claro, portanto, há uma necessidade de maior compreensão da importância dos limites de uso das redes sociais. Posto isso, cabe ao Ministério da Ciência e Tecnologia junto a mídia – TV, jornais e internet – devem criar propagandas publicitárias mediante vídeos na televisão como também na internet, que relatem o assunto do exibicionismo e seus riscos, além de utilizar os conteúdos novelísticos para tratar do assunto de forma mais ampliada. É viável o mesmo ministério agir para esse ema ser tratado nas escolas com a disciplina de sociologia ou informática por meio de aulas expositivas e dialogais, como palestras e rodas de conversa. Tais resoluções têm por finalidade a mudança de atitude dos usuários na internet, e dessa maneira impedir casos como o exibido na série.