Superbactérias: reflexo da automedicação?
Enviada em 28/10/2020
A descoberta da Penicilina pelo médico Alexander Fleming, durante o século XX, trouxe inúmeros benefícios à saúde e expectativa de vida humana. Entretanto, semelhante à qualquer excesso, o uso indiscriminado desse tipo de medicamento resulta em uma maior resistência bactericida, tendo como consequência a potencialização de doenças. Nesse sentido, seja por uma lacuna educacional ou pela mercantilização da indústria farmacêutica, o urgimento das superbactérias cunha-se nocivo à vitalidade social e, por isso, carece de cuidados.
Em primeiro plano, é necessário salientar que a educação faz-se mister previamente a qualquer inovação. Conforme a campanha de imunização obrigatória, ocorrida na cidade do Rio de Janeiro, resultou na Revolta da Vacina pela ausência de conscientização populacional, a oferta de antibióticos sem instrução anterior dos civis, na atualidade, também caracterizou-se como não efetiva. Dessa forma, apesar de exigir prescrição médica, os cidadãos não seguem as recomendações por desconhecer tamanha relevância. De acordo com o discurso de Fleming, no recebimento de seu prêmio Nobel, os impasses resultantes da Penicilina seriam unicamente derivados de seu mal uso e indicação. Desse modo, preencher esta falha instrucional é mister para travar as doenças potencializadas.
Ademais, o capitalismo intrínseco na área da saúde danifica as pesquisas científicas. À medida que antibióticos não necessitam de um uso contínuo, suas arrecadações geral baixos valores aos corporativistas. Assim, o investimento na descoberta de fórmulas mais fortes é inviabilizado por não ser rentável. Sob essa ótica, os óbitos ocorridos nos Estados Unidos, em 2010, pela ineficácia de um antibiótico em vários leitos hospitalares, poderia ser evitado pela ciência. Segundo o filósofo John Locke, é dever do Estado oferecer mecanismos para o bem-estar social. Logo, utilizar a renda pública para possibilitar evoluções na saúde é imperioso.
Portanto, ações são indispensáveis no objetivo de travar as enfermidades resistentes. Dessa maneira, a criação de propagandas virtuais com médicos que ressaltem a relevância de seguir-se as receitas antibióticas, por meio de iniciativas publico-privadas entre a Organização das Nações Unidas e as principais redes sociais para divulgação, é fundamental a fim de conscientizar os cidadãos como um todo. Para isso, subsídios a essas empresas poderiam ser oferecidos como custeio. Outrossim, a promoção de um Fundo Internacional para financiamento de pesquisas científicas, por intermédio da união entre a Organização Mundial da Saúde e os principais blocos políticos — Como o BRICS e a União Europeia — para o destino de verbas, é primordial para que os antibióticos evoluam. Apenas assim as previsões de Fleming, em seu discurso no prêmio Nobel, não serão realizadas.