Superbactérias: reflexo da automedicação?

Enviada em 04/07/2020

Os antibióticos são um grupo de medicamentos com função bactericida ou bacteriostática de grande importância na Saúde Pública. No entanto, o uso indiscriminado desses compostos está levando a seleção natural de bactérias multirresistentes e graves riscos à saúde, principalmente pela falta de treinamento médico e orientação da população sobre os riscos.

Sobre o primeiro aspecto, cabe ressaltar que a formação dos médicos para o combate às bactérias ainda é um desafio. Isso porque, geralmente eles aprendem a partir de protocolos básicos e acabam prescrevendo baseado nesses, porém, com o surgimento de vários microorganismos resistentes fica exposta a necessidade de um conhecimento mais aprimorado sobre a temática. Para exemplificar, segundo a Universidade John Hopkins, 20% dos antibióticos preescritos em intituições de saúde são para Unidades Intensivas, entretanto, cerca de 30% desses são receitados inadequadamente.

Somado a essa problemática, ainda há o uso indiscriminado desse medicamento pela população. Esse tipo de comportamento facilita o surgimento das bactérias multirresistentes, porque os antibióticos consumidos não são totalmente degradados, parte deles são liberados na urina e alcançam os lençóis freáticos e outros seres vivos, isso significa que provavelmente estão nos alimentos. Esses antibióticos também alcançam as bactérias e a seleção natural ocorre ainda no ambiente, ou seja, quando o medicamento é indicado ao paciente já tem perdido parcialmente a função contra o agente infeccioso.

Torna-se evidente, portanto, que a orientação da população e dos profissionais de saúde são importantes para auxiliar no controle dessas superbactérias. Por isso, é interessante que o Ministério da Saúde, Órgão responsável pela manutenção do direitos à saúde no Brasil, crie e financie campanhas publicitárias para estimular e conscientizar, por meio da linguagem apelativa, sobre o uso racional de medicamentos pela população, abordando sobre os riscos que esse comportamento pode trazer, além também de investir na educação dos profissionais médicos sobre essa temática, para capacitá-los sobre a biologia desses agentes e os novos protocolos de combate para esses microorganismos.