Superbactérias: reflexo da automedicação?
Enviada em 30/06/2020
Desde o surgimento do Iluminismo no século XVIII, entende-se que os problemas sociais só se resolvem quando há uma união das pessoas como sociedade. Entretanto, quando se observa a questão das superbactérias na atualidade, percebe-se que os ideais iluministas são atestados na teoria mas não preferivelmente na prática, mostrando que a problemática permanece enraizada à realidade do país, seja pela venda dos antibióticos sem receita médica e, também, pela falta de conhecimento acerca dos mecanismo de ação do fármaco. Dessa forma, torna-se necessário a discussão desses aspectos a fim de um pleno funcionamento da sociedade.
É relevante abordar, primeiramente, que a frouxa fiscalização em cima da venda de medicamentos nas farmácias deriva de uma inércia governamental. Segundo Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira símil, é possível perceber que a dispensação de antibióticos sem a apresentação do receituário desfaça essa harmonia, haja vista que, mesmo com a proibição promulgada pela ANVISA, drogarias de cidades interioranas conseguem burlar o sistema e vender os fármacos à população sem a necessidade de uma prescrição médica. Como consequência, tem-se o uso errôneo e o surgimento das superbactérias.
Paralelamente a isso, o pensamento do sociólogo polonês, Zygmunt Bauman, de que o mundo está vivendo uma “Modernidade Liquida”, na qual as relações sociais, políticas e econômicas são superficiais e não duradouras se evidencia quando, por consequência da falta de conhecimento sobre a correta utilização dos antibacterianos e seu uso indiscriminado, em 2050, segundo a OMS, o mundo terá cerca de 50 milhões de morte por ano em decorrência de infecções bacterianas. Isso ocorrerá devido a capacidade desses micro-organismos de produzirem proteínas ou desenvolverem barreiras que inativam os fármacos bactericidas e bacteriostáticos.
Dessa forma, percebe-se que o debate acerca do surgimento das superbactérias é imprescindível para a construção de um mundo mais utópico. Nessa lógica, é imperativo que o Tribunal de Contas da União em parceria com o Ministério da Saúde, destine verbas para a contratação de fiscais, que atuarão investigando e aplicando multas em farmácias que liberarem essa classe de medicamentos sem a retenção da receita médica. Com isso, o uso indiscriminado e errôneo desses fármacos diminuirá drasticamente e acarretará no retardo do surgimento de micro-organismos resistentes as penicilinas e tetraciclinas. Assim, a sociedade caminhará para a completude dos ideais iluministas.