Superbactérias: reflexo da automedicação?
Enviada em 29/10/2019
Durante a história, as pessoas não obtinham conhecimento medicinal suficiente para suportar as enfermidades que assolavam a humanidade e consequentemente, aniquilavam povos inteiros. A peste bubônica na Europa e a varíola no Brasil Colonial, foram grandes exemplos disso. Dessa forma, a necessidade de proteção ocasionou descobertas importantes que são utilizadas e aperfeiçoadas até hoje, a exemplo, os antibióticos. Em contrapartida, o uso exacerbado desse remédio por meio da automedicação gera a seleção dos antígenos e deixa as doenças resistentes, acentuando o perigo para a população. Destarte, cabe analisar as causas da problemática: a ignorância sobre a utilização dos medicamentos e a falta de supervisão estatal.
Primeiramente, é licito postular que o desconhecimento sobre os efeitos dos fármacos e a ingestão excessiva perpetua o problema. Em consonância com o ideal do pedagogo Paulo Freire, a educação tem o objetivo de conscientizar o indivíduo, fornecendo conhecimentos sobre o meio em que vive para prepará-lo para a sociedade. Nesse contexto, constata-se que os brasileiros não adquiriram tal educação, visto que desconhecem os ensinamentos sobre a utilização dos antibióticos. Por isso, continuam a consumir inadequadamente e selecionando bactérias resistentes, gerando doenças mortais e prejudiciais a todos. Portanto, a ignorância sobre o assunto amplia os perigos e as consequências.
Em segundo plano, cabe analisar o fato do Estado não fornecer a supervisão adequada quanto a venda desses medicamentos. De acordo com o pensamento do filósofo Rosseau, o Governo por meio do contrato social deve garantir segurança a todos os cidadãos. Em dissonância com o ideal filosófico, o Brasil não fiscaliza com eficiência a distribuição desses remédios pelas farmácias, o que gera a possibilidade da venda sem prescrição médica, portanto, há inseguranças diante da saúde da população. Torna-se claro, por dedução analítica, que a facilidade na obtenção dos antibióticos ocasiona o uso exacerbado e por isso, o aumento dos riscos.
Infere-se, portanto, a complexa situação da automedicação no Brasil. Para amenizar o quadro cabe ao Ministério da Saúde e o Governo Federal divulgarem os perigos desse ato e aumentarem a fiscalização nas farmácias. Essas medidas devem ocorrer por intermédio de um projeto educacional, o qual os profissionais da saúde por meio das mídias sociais explicarão de forma didática, através de videos, os perigos do uso intenso de antibióticos, além disso, devem admitir fiscais para supervisionar as indústrias farmacêuticas. Tais ações objetivam a ampliação da informação e controle na distribuição de remédios. Feito isso, a medicina continuará a evoluir e os perigos serão amenizados.