Superbactérias: reflexo da automedicação?

Enviada em 28/10/2019

No poema “Pneumotórax”, escrito em 1930 por Manoel Bandeira, é retratada de forma trágico-cômica a morte que se aproxima de um sujeito com tuberculose. Atualmente, o aparecimento de superbactérias volta a ameaçar a saúde pública. Entre as possíveis causas para essa preocupante situação estão o abuso da automedicação e o uso desmedido de antibióticos na produção de proteína animal.

De acordo com o princípio de seleção natural de Charles Darwin, as espécies mais aptas a viver em um determinado meio sobrevivem e se reproduzem, passando suas características aos seus descendentes. Similarmente, o uso de antibióticos de forma imprópria ocasiona a seletividade de superbactérias uma vez que, em grande parte dos casos, os pacientes param de tomar a medicação ao notarem que estão melhores, desrespeitando o tempo necessário para o tratamento completo das infecções. Tal problemática, está associada a facilidade da população em acessar sites sobre enfermidades na internet e realizarem um autodiagnóstico ao invés de buscarem ajuda médica, aumentando as chances de desenvolverem resistência aos remédios.

Ademais, segundo dados do jornal “O Globo”, de 2016, o Brasil é o terceiro país do mundo que mais usa medicamentos na pecuária, perdendo apenas para a China e para os Estados Unidos. Neste contexto, a aplicação desenfreada de antibióticos em porcos, vacas e galinhas a fim de mantê-los saudáveis antes do abate, têm sido uma das maiores causas de resistência dos microrganismos aos tratamentos convencionais. Com isso, é colocada em risco a saúde do consumidor que, ao ingerir a carne contaminada por superbactérias, passa a portá-las em seu organismo.

Portanto, medidas são necessárias para solucionar o impasse. Cabe ao Ministério da Saúde organizar campanhas nacionais sobre a importância da higienização das mãos, por meio do Programa Saúde na Escola, que participa crianças e adolescentes em ações pela melhoria da saúde, para evitar a transmissão de superbactérias pelo contágio com outras pessoas. Além disso, o Ministério da Educação também pode agir conscientizando a população sobre os prejuízos da automedicação, por meio de campanhas na grande mídia e de distribuição de cartilhas instrutivas junto às comunidades. Desse modo, a população ficará livre de contrair infecções com diagnósticos fatais, como foi o caso do protagonista do poema “Pneumotórax”.