Superbactérias: reflexo da automedicação?
Enviada em 24/10/2019
“Pneumotórax” é um poema de Manuel Bandeira, que retrata de forma eufemística a morte como solução para a tuberculose. Apesar de ser uma realidade de 1930, o óbito por enfermidades como essa ameaça a voltar em pleno século XXI. Nessa óptica, o motivo dessa mazela é o surgimento das superbactérias. Entre as razões do aparecimento desse organismo, estão a automedicação e o uso desmedido de antibióticos para a produção de proteína animal. Nessa perspectiva, fica clara a necessidade de medidas para atenuar a proliferação dessas bactérias super resistentes.
Em primeiro plano, é válido ressaltar que, após perceber o número elevado de pesquisas relacionadas a doenças, o Google, aliado ao Hospital Albert Einstein, criou cartões com informações de várias patologias na internet. Nesse sentido, a população faz o seu próprio diagnóstico e toma medicamentos sem consultar um profissional, baseado somente no que pesquisou na rede. Desse modo, o abuso desses medicamentos pode aumentar a proliferação e a resistência dessas bactérias, a ponto de não serem exterminadas pelos antimicrobianos já existentes, o que leva a morte do indivíduo.
Outrossim, em uma sociedade majoritariamente mercantilista, qualquer coisa é válida para obter-se o lucro máximo. Por conseguinte, o sistema capitalista estimula o uso de medicamentos em animais, para que eles possam se desenvolver mais rapidamente, e assim conseguir obter a meta. Nesse sentido, com o uso desse remédios nos animais, as superbactérias irão se desenvolver, e a população irá ingeri-las. Dessa forma, o crescimento desses organismos, e consequentemente o desenvolvimento de doenças será cada vez maior, o que dá credibilidade à fala do economista Jim O’Neill, que diz que em 2050, a cada três segundos, uma pessoa morrerá por causa das superbactérias.
Portanto, a partir do exposto acima, ações devem ser realizadas para reduzir esse problema. Nesse sentido, o Ministério da Saúde deve oferecer médicos plantonistas em todos os postos de saúde municipais, para que a população não precise enfrentar filas em prontos-socorros e possa consultar o mais rápido possível. Desse modo, os doentes não farão o próprio diagnóstico, o que reduz o número de automedicação e como resultado a proliferação das superbactérias. Ademais, o poder legislativo deve criar uma lei que torne crime o uso de antibióticos para produção de proteína animal. Sendo assim, para penalizar o infrator, deverá ser feito exames mensalmente nos animais destinados ao mercado consumidor, para que então, caso exista essa substância, o proprietário tenha que pagar multa, reduzindo então o número de superbactérias nas carnes. Só assim, a morte por doenças que parecem inofensivas ficará só na literatura.