Superbactérias: reflexo da automedicação?
Enviada em 10/10/2019
O sociólogo Durkheim, postulou o termo “anomia social” para se referir ao estado de caos na sociedade, o qual se aplica à questão da automedicação no Brasil. Nesse sentido, vale ressaltar que a saúde pública defasada corrobora para ações afins, que consequentemente agravam a resistência de agentes patológicos. Ademais, cabe salientar que a cultura do uso inadequado de remédios reflete nessa condição. Por isso, é de suma importância que haja medidas para reverter essa situação.
Nesse contexto de automedicação, a Organização Mundial da Saúde (OMS), afirma que atitudes similares são corriqueiras em países onde o sistema de saúde é inadequado. Tal constatação reitera a necessidade de melhorias na saúde publica, já que, de acordo com pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os cidadãos têm como principal queixa a demora no atendimento e na defasagem hospitalar para os exames adequados. Dessa forma, parte dos indivíduos confirmam consultar-se no “Google”, site de pesquisa que pelos sintomas descritos pelo internauta exibe a gama de patologias possíveis e explanam os remédios usados para curar determinada enfermidade. Com isso, é comum a utilização de remédios como antibióticos sem a prescrição médica, o que contribuiu para o fenômeno das “superbactérias”, que são bactérias resistentes aos fármacos já existentes. Assim sendo, são primordiais medidas para reverter esse quadro.
Ainda nesse viés medicamentoso, é notório que no país automedicar-se é uma educação quase inerente a população, já que, não raro, indivíduos indicam uns aos outros remédios que já usaram. Desse modo, essa atitude reflete no estudo da OMS, o qual constata que até 2050 pode vir a falecer 1 pessoa a cada 3 segundos devido ao uso incorreto de drogas medicinais. Logo, a reeducação populacional é fundamental. Porque essa autossuficiência médica e farmacológica pode causar efeitos adversos, como, alergias e intoxicação. Dessa maneira, alterar essa conjuntura é imprescindível.
Portanto, faz se necessário que o Estado atue por meio do Ministério da Saúde (MS), nos postos de atendimento e nas sedes hospitalares das cidades ao promover a reestruturação desses lugares, ao equipar de forma adequada e aumentar o “corpo de saúde”, para que os cidadãos possam ser assistido de forma hábil, consequentemente, diminuirá as maiores reclamações dos pacientes. Somado a isso, o MS junto ao Ministério da Educação (MEC), devem atuar em locais públicos dos municípios e nas mídias sociais, ao promover palestras e discussões com especialistas na área a fim de exibir a relevância do profissional da saúde para a receita de alguma droga medicamentosa e dos riscos que essas atitudes autônomas trazem. Assim, paulatinamente, conseguir-se-á reduzir a prática de automedicação no Brasil.