Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos

Enviada em 01/05/2021

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada em 1948, garante, em seu primeiro artigo, a dignidade a todos os indivíduos. Fora da teoria, é evidente que esse direito não é efetivado, pois a existência de desafios para superar a subnutrição e má distribuição de alimentos no Brasil comprometem diretamente a virtude expressada na lei. Em decorrência disso, cria-se um problema de contornos específicos baseados na construção histórica de uma sociedade desigual e indiferente, e da logística inadequada na manipulação desses sustentos nutritivos.

Diante desse panorama, é lícito destacar a fundamentação histórica presente na questão da fome e da desproporção de comida na sociedade contemporânea. Nesse sentido, o período colonial brasileiro exemplifica tal fato quando os escravos e classes menos favorecidas sofriam com pouca variedade de subsídios alimentícios, enquanto os senhores de engenho usufruíam de fartura. Tristemente, esse problema contribuiu para construir uma nação de acordo com o pensamento de Simone Beauvoir, onde as pessoas naturalizam problemas escandalosos, e nesse caso, a subalimentação, por ser ocorrente a tanto tempo, se comporta como escândalo naturalizado.

Ademais, é nítida a ausência de lógica na questão do transporte e disposição dos insumos produzidos. Paralelamente, no longa-metragem “O Poço”, essa falta de logística é apresentada numa estrutura vertical dividida em níveis, onde uma plataforma repleta de alimentos visita todos eles; em tese, a comida existente é suficiente para todos, mas o desperdício e o individualismo faz com que as classes mais altas consigam se alimentar melhor e as mais baixas quase não recebam comida. Fora das telas, essa é uma realidade que afeta diariamente a massa social brasileira.

Por fim, urge que o Ministério do Desenvolvimento Social, juntamente com o Ministério da Educação, promova o conhecimento acerca dos problemas relacionado à dinâmica alimentícia no país e das possibilidades de tornar, dentro da realidade de cada um, a alimentação mais rica em nutrientes, tais medidas serão feitas por meio de minicursos, palestras e estímulos à produção regional, e devem ser realizadas nas áreas mais afetadas pelos problemas supramencionados, visando desenraizá-los da comunidade e alcançar um desenvolvimento igualitário. Assim, uma federação com realidade oposta ao filme “O Poço” será consolidada.