Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos

Enviada em 14/01/2021

Segundo o sociólogo Émile Durkheim, em “fatos sociais”, o indivíduo é influenciado por tudo aquilo que o cerca e trabalha motivando aqueles ao seu redor. Nesse contexto, observa-se a analogia com a subnutrição e a fome, visto que são reflexos da historiografia, falta de políticas públicas e do desperdício, o que acarreta terríveis danos sociais. Logo, tornam-se imprescindíveis caminhos para resolver tal problemática.

A partir da abolição da escravidão em 1888, pela Lei Áurea, os recém libertos não foram inseridos na sociedade como cidadãos, sendo conquistado apenas o direito da liberdade. Com isso, não houve ressocialização para aqueles excluídos socialmente, os quais tiveram que conviver de maneira marginalizada. Contemporaneamente, embora com o passar dos anos, há permanência de miséria, refletindo diretamente na fome e desnutrição, esse fator deve-se à ausência de políticas públicas que revertam a realidade passada, como auxílios financeiros, estímulo à educação, empreendedorismo, entre outras ações que visam à melhoria econômica. Além disso, a questão da quantidade de alimentos para atender toda população não é o principal problema, haja vista que o país possui solos férteis, extensão territorial e capacidade de produção, contudo, o impasse encontra-se na má distribuição desses alimentos.

Consequentemente, com o péssimo manuseio para levar o alimento do produtor ao consumidor, considerando perdas de mercadorias, atrasos e, quando relacionado ao disperdício pessoal, comidas jogadas no lixo, acontece a intensificação de mortes pela fome, a desnutriçao de crianças, adolescentes, adultos e idosos, pois o comestível perdido poderia alimentar diversas famílias de baixa renda. Outra consequência adversa dos indivíduos que vivem nessa situação caótica, da falta de comida, é a maior propensão a aderirem doenças, por conseguinte de estarem com o sistema imunológico comprometido, sem determinadas vitaminas, proteínas e um cardápio completo. A insegurança alimentar grave esteve presente no lar de 10,3 milhões de brasileiros entre 2017 e 2018, como retrata a Pesquisa de Orçamentos Familiares, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), assim, buscam-se soluções que modifiquem o quadro supracitado.

Portanto, a fim de acabar com a fome e desnutriçao, faz-se necessário o aumento de política públicas, com a atuação do governo, por meio de leis, uma vez que fornecerá auxílios para população investir em alimentos saudáveis, incentivará à educação como caminho para transformação social e ampliará a qualidade logística das empresas fornecedoras alimentícias. Dessa forma, ter-se-á uma sociedade mais nutrida e influenciada positivamente, como analisado por Durkheim.