Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos
Enviada em 29/11/2020
O livro Vidas Secas, de Graciliano Ramos, conta a história de uma família de retirantes e os desafios para sobreviver à seca nordestina. Na descrição das personagens, Fabiano, Sinhá Vitória, os dois meninos e a cachorra Baleia são projetadas de maneira homóloga: enxutas e raquíticas, denotam a seca em seus próprios corpos. De maneira análoga, milhões de pessoas enfrentam esse estado de subnutrição ao redor do mundo, porém por motivos diferentes e, no que diz respeito ao Brasil, a contrastante distribuição de alimentos bem como a falta de políticas publicas para uma alimentação de qualidade da população evidenciam-se na fisionomia dos afetados, assim como na das personagens. Em primeiro lugar, a má distribuição dos alimentos é propiciada pela desigualdade social, principalmente no que tange a disparidade de renda. Isso é evidente no documentário Ilha das Flores, que retrata a trajetória de um tomate da colheita até o descarte em um local de nome homólogo ao da obra, no qual crianças e mulheres recolhem alimentos, que não foram considerados apropriados nem mesmo aos porcos, para consumo próprio. Assim sendo, enquanto alguns possuem o capital para ‘‘comprar o tomate’’, outros sofrem desumanização para suprir uma das necessidades mais básicas do ser humano por não adequarem-se a dinâmica capitalista.
Ademais, a subnutrição não relaciona-se apenas a falta de alimento, mas também a qualidade desses. A partir da Revolução Industrial, com o surgimento dos alimentos industrializados, a dieta humana progrediu para ser composta por opções processadas, altamente calóricas e gordurosas, sem os outros nutriente necessário, dessa forma, o individuo tem acesso a alimentação, mas continua subnutrido. Aliado a isso, a constante busca por praticidade e palatabilidade dos alimentos convergiu para o aumento do índice de obesidade: No Brasil, em 2019, havia aproximadamente 41 milhões de pessoas obesas, segundo dados do IBGE, número que só tende a aumentar pela inércia Estatal.
Depreende-se, portanto, que medidas são necessárias para atenuar essa problemática. O que pode ser feito, por exemplo, é a criação de refeitórios comunitários, como o Langar no templo de Gurdwara Paonta Sahib, na Índia, no qual são oferecidas refeições 24 horas por dia, todos os dias. As verbas viriam da prefeitura do munícipio e do governo do estado, os alimentos seriam adquiridos de pequenos agricultores e o cardápio composto por opções saudáveis, de modo a proporcionar alimentação gratuita e completa. Além disso, a Federação deve criar propagandas divulgando-as na internet e na televisão, sobre a importância e os benefícios de uma dieta equilibrada que valorize frutas e legumes em detrimento dos industrializados. Para que assim, os corpos brasileiros denotem tão somente saúde e vigor.