Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos

Enviada em 12/11/2020

No seriado humorístico de origem mexicana “Chaves”, o comediante Chespirito interpreta o personagem principal: um garoto travesso que, devido à pobreza, sofre com diversos problemas, e um deles é a subnutrição. Fora das telas, é notório que, no Brasil, essa questão da subnutrição é persistente e, muitas vezes, está interligada à má distribuição de alimentos, visto que o descarte desnecessário dos mesmos e a baixa eficiência das políticas públicas focadas nas populações mais carentes ainda são obstáculos a serem superados no país.

Em primeira análise, é importante ressaltar que, no século presente, em aspecto global, diferentemente do que especulava o economista Thomas Malthus, não há falta de alimentos, haja vista que a produção atual de comida é suficiente para suprir os 7,3 bilhões de habitantes da Terra, como afirma uma matéria publicada no site aviculturaindustrial.com.br em 2015. Entretanto, mesmo assim, existem problemas como a fome e a subnutrição (no Brasil, somente esse último, como afirma Ana Lydia Sawaya ao Jornal da USP no Ar), pois não basta apenas o alimento ser produzido, já que ele precisa também ser bem distribuído. Quanto a esse último ponto, o descarte desnecessário de comida mostra-se como um grande vilão, pois ele ocorre frequentemente, em supermercados e mercearias, quando esses comércios jogam fora alimentos que estão bons para consumo, mas que não são adquiridos pelo consumidor final, por não serem esteticamente os mais bonitos aos seus olhos.

Em segunda análise, é possível constatar que, mesmo que programas sociais, como o Bolsa Família, ajudem os mais vulneráveis socialmente em suas necessidades básicas, não existe ainda nenhuma medida por parte do poder público que tenha se mostrado de fato eficiente na busca por solucionar de forma conjunta o problema da subnutrição e da má distribuição de comida, como é o caso da fracassada tentativa de João Dória, em São Paulo, ao lançar um suplemento alimentar com restos de alimentos (que foi criticado e apelidado de “ração”), como afirma uma matéria publicada no site G1.

Verifica-se então a urgente necessidade de conter o desperdício exacerbado de comida, visando suprir as demandas nutricionais das camadas mais pauperizadas da população. Por isso, é imperativo que as prefeituras locais façam acordos comerciais com os supermercados e mercearias do município para comprar, por um preço reduzido, os alimentos que, apesar de não terem uma aparência perfeita, estão em bom estado de consumo, a fim de compor, com esses alimentos, cestas a serem distribuídas à população carente. Agindo assim, faz-se com que a nação se aproxime cada vez mais àquilo que parece tão distante na Constituição Federal “Cidadã” até então vigente.