Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos
Enviada em 07/11/2020
No século XVII, o economista Thomas Malthus propôs a Teoria Malthusiana, a qual defendia que a fome se fazia presente no mundo porque os alimentos eram produzidos em progressão aritmética, ao passo que a população mundial crescia em progressão geométrica. No entanto, no século XXI, apesar de ter sido cientificamente comprovado que a fome está relacionada à má distribuição de alimentos, ela ainda permanece no meio social e é a motora da subnutrição. Sob essa perspectiva, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de um terço das crianças morrem em virtude da subalimentação todos os anos. Por isso, é importante analisar que, no Brasil, essa realidade se dá em razão da desigualdade de renda existente na sociedade somada à negligência governamental.
A princípio, ressalta-se o papel da má distribuição de renda na subalimentação nacional. Nesse sentido, o Brasil é, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o sétimo país mais desigual do mundo. Dessa forma, a desigualdade social existente na nação contribui para o alto índice de má nutrição no país, uma vez que, em razão disso, milhões de cidadãos brasileiros não têm acesso à alimentação adequada. Como prova disso, conforme o Instituto de Estudos Avançados (IEA), quase metade da população brasileira não possui alcance ao saneamento básico, bem como à alimentação de qualidade. Frente a isso, explicita-se a necessidade de ações para reverter esse cenário.
Outrossim, salienta-se a participação do Estado na alimentação do povo. Nesse contexto, consoante a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), a produção agrícola atual é suficiente para alimentar toda a população. Dessa maneira, a falta de auxílio governamental para preservar esses produtos também é um entrave para a nutrição dos cidadãos, haja vista que, em virtude da alta taxa de perda de mantimentos, grande parte do povo não tem acesso a esses produtos. A título de exemplo, a FAO estima que 30% das produções agrícolas são perdidas ao longo da cadeia produtiva. À vista disso, verifica-se a importância de medidas para reduzir esse desperdício.
Em síntese, a desigualdade social existente no país, associada à falta de diligência estatal, colabora para a má nutrição no país. Logo, cabe ao Ministério da Cidadania, órgão responsável pelas políticas de assistência social, por meio de investimento financeiro, fornecer cestas básicas que contenham alimentos de qualidade aos cidadãos de baixa renda, com o intuito de assegurar sua alimentação saudável. Ademais, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento deve, mediante o investimento em tecnologias, financiar ações, como a construção de armazéns e a ampliação de redes de circulação, com o fito de minimizar a perda de alimentos. Assim, com essas intervenções, espera-se combater a má distribuição de víveres e, consequentemente, a subnutrição no Brasil.