Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos

Enviada em 09/12/2020

O Super- Homem, idealizado pelo célebre filósofo Nietzsche, caracteriza o indivíduo capaz de livrar-se das amarras sociais. No entanto, quando se analisa a subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos, percebe-se que o ideal proposto pelo autor está distante da realidade. Problemáticas como essas são potencializadas ora pela ineficácia administrativa governamental, ora pelos perniciosos hábitos sociais.

Em primeira análise, fundamentando-se na Teoria do Corpo Biológico proposta pelo sociólogo Émile Durkheim, a sociedade atual configura-se como um corpo humano: é necessária a atuação de todos os órgãos em prol do seu pleno funcionamento. Contudo, o Poder Público configura-se como um órgão falho, uma vez que os investimentos destinados a campanhas que incentivem e que ensinem o reaproveitamento de alimentos e os modos de atenuar os desperdícios, principalmente em países ricos, e má gerenciamento da distribuição das colheitas, são ínfimos. Por conseguinte, sem o devido incentivo governamental, muitas pessoas são afetadas pela a subalimentação que interfere diretamente no desenvolvimento físico e mental dos cidadãos. Além disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS), afirma que a subnutrição  ainda é a causa indireta de cerca de 30% das mortes de crianças no mundo.

Outrossim, os perniciosos hábitos sociais do brasileiro é um fator determinante para a permanência desse impasse. Nesse viés, o matemático Edward Lorenz  afirma que uma pequena mudança no início de um evento pode acarretar problemas diversos e desconhecidos no futuro. Sob essa óptica, pequenas ações do cotidiano poderia amenizar a subnutrição na sociedade e a afirmação do escritor Lorenz, visto que, diariamente, ocorre desperdícios de alimentos em restaurantes e a falta de empatia com o outro faz com que esses alimentos sejam desperdiçados e não chegam a serem reaproveitados por parte da população necessitada. Com isso, o asseguro constitucional que garante a alimentação como um bem indispensável para o desenvolvimento do cidadão em comunidade, proposto pela Carta Magna não é efetivado na prática, acarretando um desequilíbrio socioeconômico.

Diante do supracitado, medidas são necessárias para que haja a mitigação desse impasse. Para tanto, urge que o Estado por meio de verbas públicas, invista em propagandas que que evidenciem a importância do reaproveitamento de alimentos e incentivem ao a deixar o consumo exagerado, com o intuito de que menos pessoas sofra pela subnutrição. Ademais, é importante que os agentes comunitários, por intermédio de atividades lúdicas e teóricas, enalteçam a importância da empatia com o outro e oriente a população a ajudar com ações, como doações de alimentos das “sobras” de estabelecimentos de alimentos, com a finalidade de que o ideal de Nietzsche seja concretizado.