Subnutrição e a sua relação com a má distribuição de alimentos

Enviada em 03/12/2020

Em “Vida Secas”, de Graciliano Ramos, conta-se uma história de uma família desolada pela seca, o problema mais relatado é a fome. As crises de desabastecimento de recursos naturais, no passado, eram frutos de crises naturais. Hoje em dia, são frutos de processos colonizadores passados, gerando áreas subnutridas e obesas ao redor do globo.

Certamente, a fome não é causada por pouca produção de alimento. Segundo pesquisas da Universidade de São Paulo (USP), o mundo produz hoje 4 bilhões de toneladas de alimento, de fato, essa quantidade pode alimentar 10 bilhões de pessoas. Contudo, infelizmente, essa quantidade é mal distribuída, gerando assim áreas subnutridas e outras obesas.

É evidente que a fome atual é causada pelas colonizações europeias. Países que hoje estão no mapa da fome, da Organização das Nações Unidas (ONU), foram colonizados por mais tempo e os países que estão no mapa da obesidade foram os seus colonizadores. Claramente, a fome é uma questão política.

Em suma, a subnutrição deve ser encarada como uma dívida histórica mundial. Portanto, a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) deve criar um banco mundial de comida, financiado pelo FMI (Fundo Monetário Internacional), assim coletando recursos alimentícios em países sem risco de fome e transportando-os e doando-os para países com graves crises de fome, como Somália, Venezuela e Afeganistão. Além disso, deve ser função da OCDE a fiscalização dos governos locais para evitar desperdício e corrupção no sistema, porém a distribuição direta para a população deviria ser feita pelo governo local, afinal, é ele quem mais tem dados sobre seu território.