Sistema carcerário brasileiro: problemas e soluções

Enviada em 06/03/2018

Liberdade ilusória

Viver entre uma multidão de valores, de normas e estilos de vida em competição, sem uma garantia firme e confiável de se estar certo é, como afirma o sociólogo polonês Baumam, perigoso e cobra um alto preço psicológico. Basta um olhar na realidade para perceber que as prisões configuram-se como reflexo da incoerência comportamental inserida demasiadamente na sociedade. A partir dessa ideia cabe analisar como funciona o sistema carcerário brasileiro e explicar os efeitos sociais  desse modelo em que não há reinserção social.

É imprescindível, em uma primeira análise, observar a trágica situação encontrada nos presídios brasileiros. Desse ótica pode-se compreender por que esse sistema apresenta inúmeras falhas que prejudicam não somente o detento, como todo corpo social. Como se vê,  o uso de prisões foi banalizado, a ausência de separação entre presos que cometeram crimes violentos, daqueles que estão no cárcere devido à prisão preventiva, que muitas vezes poderiam aguardar o julgamento fora das grades, traz consigo nocivas consequências.

Outro ponto determinante a ser considerado, é derivado da má administração prisional: A falta de ressocialização dos ex presidiários. Convém, é claro, observar que a predominância no ambiente carcerário é de jovens entre 18 e 25 anos que, após sua liberdade encontram-se à margem da sociedade. Por não serem aceitos no mercado de trabalho, somado às traumáticas experiencias vividas na cadeia sem acompanhamento psicológico, estes, de acordo com Foucault, não recebem sua liberdade, mas são espalhados na comunidades como delinquentes perigosos.

É fundamental, então para a desconstrução desse cenário, que o governo juntamente do poder judiciário promova ações como a diminuição de presos provisórios, a fim da extinção do hipercarceramento. Além disso, a separação dos presidiários pelos crimes cometidos, bem como seu acompanhamento psicológico faz-se necessário, para que ao final da pena os indivíduos estejam melhores do que quando entraram. Cabe ainda que corporações sociais promovam a ressocialização destes, para que seja então possível oferecê-los uma liberdade que de fato exista.