Sistema carcerário brasileiro: problemas e soluções
Enviada em 08/10/2017
Após cada novo caso de selvageria nos presídios brasileiros, é comum que vários setores da sociedade clamem por penas mais severas ou então pela própria execução de detentos, diretrizes que são antagônicas aos direitos humanos e que apenas agravariam a situação do sistema penitenciário. No entanto, ela se mostra cada vez mais insustentável, e é necessário identificar as causas dessa eterna crise para que finalmente se possa superá-la.
Primeiramente, é preciso levar em conta a situação das cadeias, que se encontram num estado em que não podem garantir direitos básicos a quem está preso. Unidades superlotadas, sem acesso a defensores públicos e às mínimas condições de higiene fazem com que se torne impossível que estas cumpram sua função de reabilitação e ressocialização, elevando os níveis de reincidência e deteriorando ainda mais o problema.
Além disso, as penitenciárias brasileiras são dominadas por facções criminosas que exercem seu poder paralelo dentro e fora das cadeias. A tragédia ocorrida em Manaus devido à rixa entre duas organizações rivais exemplifica a falta de controle do Estado sobre o sistema carcerário e os indivíduos ali inseridos. Igualmente, os presídios se tornam corrompedores de pessoas que originalmente não estavam envolvidas com o crime organizado.
Portanto, é necessário que o poder público interfira urgentemente no sistema penitenciário, aumentando o número de vagas, investindo na melhoria das condições das unidades já existentes e promovendo a aplicação de penas alternativas, como a prisão domiciliar e o serviço comunitário. Ademais, que fomente programas que trabalhem com a reinserção de ex-detentos na sociedade, de forma a evitar a reincidência e a ocorrência de outros massacres ou rebeliões. A coletividade tende a ganhar com indivíduos recuperados e produtivos no lugar de presos ou mortos.