Sistema carcerário brasileiro: problemas e soluções
Enviada em 03/10/2021
Em sua obra denominada “Memórias do Cárcere”, publicado postumamente no mês de setembro de 1953, o autor Graciliano Ramos, preso em tempos do regime do Estado novo - relata as atrocidades, os maus tratos, as condições mais que precárias da higiene, tal como a falta de humanidade vivenciadas na rotina carcerária. Partindo desse pressuposto, inquestionavelmente, a ineficiência da justiça contribui de forma magistral na superlotação e nas más condições dos detentos, ressaltando a palavra “condições”, que curvam em declínio ao ponto de violar muitos de seus direitos humanos. No interior de uma prisão, essas palavras perdem todo o seu significado, o seu passado, e o seu poder, se assemelhando com o mero cativo, em pena, isolado no escuro, com fome, frio e pecados que cochicham em seus ouvidos toda a madrugada.
Isto não pode ser confundido como um argumento de defesa em prol dos criminosos e detentos, mas sim como uma simpatia ao psicológico deturpado que os problemas do nosso sistema carcerário podem gerar. Esse deficitário sistema prisional continua a crescer devido a ausência de recursos para tal classe. Correndo por diante dos nossos ouvidos, a frase e crença pregada de que “Bandido bom, é bandido morto.” Pode influenciar diretamente no destino de um certo indivíduo, além de, claro, dificultar a reintegração deste na sociedade, fazendo-o voltar para o mundo sombrio do crime.
Portanto, para que o cenário se reverta, mostra-se necessária a atuação do governo em investir em extensão e recurso para a superlotação, e numa investida paliativa, modificar ambientes, como ginásios e pátios desocupados afim de que os detentos se ocupem. Medidas trabalhistas que envolvam os prisioneiros em atividades profissionais, um toque a mais no quesito da “segurança”, e talvez, alguma campanha midiática que possam causar certa reflexão nos dois lados da moeda. Somente assim, e mais um pouco, a ideia de uma revolução carcerária deixaria de ser tomada como uma utopia.