Sistema carcerário brasileiro: problemas e soluções

Enviada em 25/05/2020

Na obra “Memórias de Cárcere”, o autor Graciliano Ramos expõe a experiência da sua prisão na época do Estado Novo, denunciando maus-tratos e condições de vida degradantes. Atualmente, a realidade das penitenciarias brasileiras não difere, tendo em vista as péssimas condições em que os encarcerados vivem. Nesse contexto, deve-se analisar que a baixa infraestrutura e a cultura punitivista dificultam a ressocialização dos presos no Brasil.

Inicialmente, é importante destacar que a infraestrutura precária dos presídios é um agravante da problemática. Isso acontece, principalmente, por conta da superlotação das prisões, as quais possuem taxa de ocupação de 165% - segundo o CNMP. Desse modo, o espaço desproporcional à quantidade de indivíduos ocasiona condições de vida sub-humanas aos detentos, rompendo com os direitos humanos consolidados na Constituição Federal. Consequentemente, a violência aumenta e a ressocialização dos presidiários torna-se pouco provável.

Além disso, a cultura punitivista também é um problema. Em sua obra “Vigiar e Punir”, o filósofo Foucault defende que a punição deve ter um caráter disciplinatório, recuperando os presos de forma humanizada. Analogamente, a mentalidade de grande parte dos brasileiros diverge de tal pensamento, pois, por influência da própria mídia, as pessoas tendem a desumanizar a população carcerária, aderindo discursos de ódio como “bandido bom, é bandido morto”. Como resultado, a prisão torna-se apenas um meio de punir e não de ressocializar.

Portanto, ficam claros os fatores que dificultam a ressocialização dos presos. Em razão disso, o Governo Federal deve investir na melhoria das penitenciarias brasileiras, direcionando verbas para a expandi-las e melhorar a estrutura, para evitar a superlotação nas celas, assim garantindo condições de vida dignas aos encarcerados. Ademais, cabe a mídia tratar casos criminais com mais responsabilidade, evitando o sensacionalismo nas notícias, a fim de que discursos de ódio não sejam propagados. Dessa forma, os detentos poderão se reintegrar socialmente.