Sistema carcerário brasileiro: problemas e soluções
Enviada em 24/09/2019
O documentário “Por dentro das prisões mais severas do mundo” retrata a realidade dos presídios de vários países, incluindo o Brasil, onde a intimidação e a violência imperam. Com o aumento anual de sua população, a atual situação do sistema carcerário brasileiro é precária e ameaça a reintegração dos presos à sociedade. Nesse sentido, deve-se discutir as causas da vigente crise penitenciária no Brasil, como a superlotação e a falta de prevenção à violência nos presídios.
Convém ressaltar, a princípio, que as prisões brasileiras estão superlotadas. Isso ocorre pois, mais 40% dos presos ainda não foram julgados devido à insuficiência de defensores públicos, aumentando a demanda por vagas nos presídios. Além disso, segundo o Ministério da Justiça, o Brasil possui mais de 800 mil detentos, o dobro do número de vagas disponíveis. Dessa forma, com prisões cada vez mais lotadas, aumentam os confrontos e a propagação de doenças, como a tuberculose, o que compromete a ressocialização efetiva dos detentos e a garantia de direitos fundamentais assegurados pela Constituição Cidadã.
Outrossim, o alto índice de violência impulsiona a atual crise do sistema prisional brasileiro. De acordo com a Lei 7.210, impõe-se a todas as autoridades o respeito à integridade física e moral dos condenados, ou seja, a proteção é consagrada em âmbito constitucional. Contudo, na prática, ocorre o contrário do previsto, pois há omissão do Estado. Em vista disso, as prisões encontram-se enraizadas por guerras de facções, maus tratos, rebeliões e chacinas, como o notável massacre do Carandiru, que deixou 111 mortos.
Portanto, é imprescindível que o Poder Público tome providências para mitigar a atual crise do sistema carcerário no Brasil. Cabe ao Ministério da Justiça, solucionar a carência de defensores públicos, por meio de concursos públicos em todos os estados brasileiros, uma vez que esse déficit retarda o andamento dos julgamentos. Com tal medida, espera-se reduzir o número de detentos não condenados nas prisões, haja vista que essa taxa é quase a metade da população carcerária brasileira. Feito isso, a realidade exposta no documentário estará cada vez menos presente nos presídios do Brasil.