Sistema carcerário brasileiro: problemas e soluções
Enviada em 03/11/2018
Direitos atrás das grades
É evidente que a crise carcerária é um dos principais problemas em pauta no contemporâneo, que ganhou foco, sobretudo, devido à série de rebeliões em diversos presídios brasileiros em 2017. Dessa forma, é importante a discussão sobre suas implicâncias na sociedade e as possíveis soluções para esse panorama, visto que o Brasil tem a terceira maior população carcerária do mundo, segundo Departamento Penitenciário Nacional, do Ministério da Justiça.
Primeiramente, pode-se apontar como uma das principais causas dessa crise a superlotação nas cadeias, já que esse quadro supera os limites estipulados pelo CNPCP (Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária), pois, de acordo com o Ministério da Justiça e Segurança, o Brasil possui quase o dobro de detentos em relação ao número de vagas, de acordo com o Ministério da Justiça e Segurança. Ademais, um levantamento do MJ apontou que quase metade dos presídios brasileiros não tem sequer sala de aula.
Nesse contexto, é importante ressaltar que o desprovimento de políticas de ressocialização faz com que os ex-presidiários não consigam se restabelecer na sociedade, pois eles não tiveram acesso ao preparo e a qualificação adequada durante o cumprimento de suas penas, dificultando, assim suas entradas no mercado de trabalho. Em vista disso, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a cada quatro ex-presidiários um reingressa na criminalidade e, quanto a escolaridade, 75% dos presos não concluíram o ensino médio, segundo o Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen).
Em suma, é fundamental a criação de programas de cursos técnicos e atividades laborais para os presidiários pelo Ministério da Justiça, a fim de proporcionar maior profissionalização a esses. Além disso, necessita-se da obrigatoriedade do ensino para os sentenciados dentro dessas instituições pelo mesmo órgão, já que a educação é um direito humano que deve ser garantido a todos. Desse modo, é possível amenizar os conflitos internos e auxiliar na melhora da qualidade de vida dos encarcerados, além de impedir que essas instituições sejam cenário para o fortalecimento do crime organizado, quando essas devem objetivar o fim desse.