Sistema carcerário brasileiro: problemas e soluções
Enviada em 22/10/2018
O filme Carandiru retrata a maior rebelião ocorrida em presídios na história do Brasil, a qual provocou mais de cem mortes, tanto de detentos quanto de policiais. Embora algumas medidas tenham sido tomadas para evitar novos massacres como o do Carandiru, as penitenciarias passam por uma situação alarmante. Entretanto, a superlotação das prisões e a falta de políticas de ressocialização fazem com que esse cenário só se agrave, o que configura um importante problema social.
Em primeira análise, é indubitável que os presídios comportam muito mais pessoas do que deveriam. Nesse contexto, segundo o IBGE, a população carcerária já passava de 600 mil em 2016, número bem maior que o de antes da aprovação da Lei Antidrogas, de 2006. Como consequência dessa lei, usuários detidos são aliciados por bandidos de verdade e acabam entrando para o mundo do crime, já que não há uma criteriosa separação entre prisioneiros por crimes graves e condenados por pequenos delitos.
Em segunda análise, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), um quarto dos ex-condenados voltam a cometer crimes quando são soltos. Nessa perspectiva, é importante ressaltar a falta de políticas de ressocialização por parte dos governos. Em decorrência disso, por não conseguir se reinserir na sociedade e arrumar um emprego, o indivíduo acaba vendo o crime como única opção.
Urge, portanto, a necessidade de se mudar a realidade dos presídios brasileiros. Para que isso ocorra, cabe ao Governo Federal implementar medidas de ressocialização, tal como a oferta de cursos de capacitação aos detentos com a opção destes serem contratados quando terminarem de cumprir a pena, por meio de parcerias com instituições públicas e privadas, com vistas a conter a reincidência dos ex-detentos. Assim, com um tratamento mais humanizado, rebeliões como a do Carandiru serão cada vez menos frequentes e a população carcerária diminuirá.