Síndrome de Burnout: o esgotamento físico e mental ligado à vida profissional
Enviada em 13/10/2021
A série televisiva “Vida Incompleta” retrata as relações laborais na Coreia do Sul no século XXI, assim como os desgastes emocionais de uma sociedade que supervaloriza a excelência e a produtividade constantes. Entretanto, apesar dos contrastes culturais, o Brasil também é palco dos problemas oriundos do ambiente profissional contemporâneo, tais como o esgotamento físico e mental associado à síndrome de Burnout. Dessa forma, esse cenário é resultado tanto dos adventos tecnológicos quanto de uma cultura excessivamente focada no enriquecimento financeiro.
Primeiramente, a Internet e as redes sociais são responsáveis por promover sucessivas cobranças e pressões sobre o trabalhador. Portanto, mesmo com vantagens como a democratização do acesso ao conhecimento e da facilidade na produção de conteúdo, processos de aprimoramento tecnológico como o fenômeno da Globalização e a Quarta Revolução Industrial são causadores de repercussões negativas na contemporaneidade. Logo, tais acontecimentos abriram caminho para a hodierna inseparabilidade da vida laboral e pessoal, bem como para o acometimento dos profissionais brasileiros pelos sintomas físicos e mentais de Burnout. Consequentemente, é importante que o Estado execute medidas para coibir comportamentos empregatícios tóxicos, tais como a invasão do tempo de descanso do colaborador com o uso da tecnologia, segundo mostrado na produção sul-coreana.
Outrossim, os aspectos culturais contemporâneos geram condições propícias para o aparecimento de diversos distúrbios mentais. Consoante Yuval Noah Harari, em “Sapiens”, a cultura é um parasita presente na cabeça dos indivíduos e pode levar, muitas vezes, à morte do seu hospedeiro. Assim, uma sociedade que valoriza a felicidade atrelada ao sucesso profissional e econômico incentiva a dedicação extrema ao labor, em detrimento do aproveitamento de um tempo de descanso de qualidade, de modo a favorecer o adoecimento de brasileiros pela síndrome de Burnout. Dessa maneira, tais pessoas, com sintomas como pressão alta e depressão, podem falecer e ser vítimas de uma cultura pouco preocupada com a saúde e o bem-estar dos cidadãos do seu território
Diante disso, para que a nação possa proteger a integridade física e mental dos trabalhadores, é necessário que o Ministério do Trabalho crie o Plano de Prevenção à Síndrome de Burnout, que, mediante a promoção de visitas semestrais aos locais de labor de todo o país, realizadas por fiscais qualificados, irá verificar o uso da tecnologia nas relações profissionais, a fim de coibir a invasão do espaço pessoal por tais recursos. Tais visitas contarão também com palestras visando desconstruir uma cultura nociva à saúde mental dos indivíduos. Em suma, o Brasil estará se distanciando da realidade tóxica retratada pela série “Vida Incompleta”.