Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 28/04/2022

O carnaval de Salvador é conhecido por ser um dos festivais mais divertidos que existe, entretanto, não escapam aos olhos, os grandiosos camarotes, os quais separam os foliões. Diante disso, é notória a segregação das classes sociais não só nesse festival, mas em diversos cenários brasileiros. Isso ocorre seja pela negligência estatal, seja pelo anseio da própria sociedade. Logo, faz-se imperiosa a análise desses entraves, a fim de mitigá-los.

É relevante abordar, primeiramente, que os serviços públicos- transportes e escolas- por exemplo, atendem majoritariamente a camada mais carente da população, uma vez que muitos desses serviços carecem de infraestrutura adequada. Nesse sentido, na teoria da percepção do estado da sociedade de Émile Durkheim, sociólogo francês, abrangem-se duas divisões: “normal e patológico”. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que um ambiente patológico, em crise, rompe com o seu desenvolvimento, visto que um sistema falho não favorece o progresso coletivo. Dessa forma, fica evidente que a negligêngia estatal frente aos serviços essenciais para a harmonia social corrobora a segregação entre os indivíduos.

De outra parte, vale ressaltar que, vive-se a sociedade do consumo, na qual o ter é melhor do que o ser. Sob esse viés, é lícito referenciar o sociólogo polonês, Zygmunt Bauman, o qual, em seu livro “Vida Para Consumo”, cita que o consumo serve primeiramente para fixarmos nosso lugar na sociedade e nos distinguirmos das outras pessoas; para termos a ilusão de que não somos obsoletos. Assim sendo, fica clara a compreensão de que o poder aquisitivo dialoga com o anseio daquele indivíduo que busca ser melhor do que o outro.

Verifica-se, então, a demanda por métodos, os quais atenuem a segregação das classes sociais no país. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Economia, em parceria com empresas privadas, por meio de incentivos fiscais, invista em trasportes públicos de qualidade e em escolas com infraestrutura de ponta, a fim de que, aos poucos, não haja uma sociedade pautada no segregacionismo.