Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 08/04/2021

A obra “A Cidade do Sol”, do escritor italiano Tommaso Campanella, retrata uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a segregação social no Brasil apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de Campanella. Nesse contexto, cabe analisar tanto a ineficiência estatal, quanto a estratificação social como impulsionadores dessa problemática, a fim de revertê-la.

Nessa perspectiva, deve-se ressaltar a falta de medidas governamentais para combater a segregação social. Diante de tal exposto, é evidente que, devido à má gestão pública, a desigualdade social foi agravada, uma vez que os direitos indispensáveis dos cidadãos foram colocados em xeque. Isso é perceptível, por exemplo, no âmbito educacional, já que esse torna-se ponto de segregação e exclusão quando um ensino de qualidade inferior é oferecido a uma parcela da sociedade em função de sua condição monetária. Essa conjuntura, segundo o filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, visto que o Estado não cumpre a sua função de garantir que todos os cidadãos desfrutem dos direitos indispensáveis, como educação de qualidade.

Ademais, é fulcral salientar que a estratificação social compromete a ideia de democracia no Brasil. De acordo com a filósofa brasileira Marilena Chauí, a democracia deve ser um sistema de direitos igualitários sem ações que favoreçam um grupo em detrimento ao outro. Entretanto, o que se observa é o oposto do que a filósofa diz, visto que a classe alta possui inúmeros privilégios em relação a classe baixa. Isso pode ser observado, por exemplo, na condição desigual de oportunidade de acesso aos serviços básicos, como transporte, emprego, segurança, saúde e lazer, o que faz com que o sentimento de pertencimento que um sujeito tem em seu meio social seja rompido. Dessa forma, o indivíduo passa a se ver excluído às margens do mundo social, no qual os direitos são transformados em privilégios.             Portanto, a questão da segregação social é um desafio para a sociedade que requer a criação de política pública. Para tanto, cabe ao governo, por intermédio do Ministério das Cidades, transformar as cidades em espaços mais humanizados, com a criação de parques, bibliotecas e teatros nas periferias, além de ampliar o acesso dessa população à moradia segura, por meio de projetos semelhantes ao Minha Casa Minha Vida, no intuito de combater as desigualdades sociais e melhorar a qualidade de vida dos mais pobres. Somente assim, será possível aproximar-se da sociedade perfeita retratada por Campanella.